Empresário mantém vida de luxo em Minas

Marcos Valério está com bens bloqueados pela Justiça

MARCELO PORTELA, BELO HORIZONTE, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2012 | 03h08

A menos de três semanas do início do julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o operador do esquema tido como o maior escândalo da era Lula - o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza - mantém alto padrão de vida em Belo Horizonte. Imóveis imponentes, com segurança particular e carros sofisticados, são apenas alguns dos sinais de que os mais de dez processos a que responde, em decorrência do mensalão, pouco afetaram a vida do empresário, assim como a de seus ex-sócios nas agências SMPB e DNA Propaganda, Ramon Hollerbach Cardoso e Cristiano de Mello Paz.

Mesmo com os bens bloqueados judicialmente, Valério vive em mansão de alto luxo no bairro São Luiz, uma das áreas mais valorizadas da Pampulha. Na fachada, câmeras monitoram a entrada. Além da segurança reforçada, a casa tem pelo menos uma semelhança com a residência anterior do empresário, no bairro Castelo: a total impossibilidade, para quem passa na rua, de ver qualquer coisa em seu interior.

"Ele morou aqui um tempo. Quando voltou a aparecer nos jornais, sumiu e mudou-se", diz um vizinho da antiga casa de Valério, referindo-se ao episódio de sua prisão durante a Operação Avalanche, da Polícia Federal, no fim de 2008. No fim do ano passado, porém, Valério foi preso em casa, acusado de participar de um esquema de grilagem de terra e fraudes com registros de imóveis inexistentes na Bahia.

'Muito luxuoso'. Na ocasião, o delegado Denilson dos Reis Gomes, da Polícia Civil mineira, deu uma ideia do que há por trás dos altos muros. Na garagem, um Toyota Hilux SW4 modelo 2012, um Mitsubishi Pajero e um Mitsubishi Outlander, ambos 2011. Juntos, valem aproximadamente R$ 400 mil. Dentro da casa, TVs e outros eletrônicos de última geração junto com obras de arte. "É tudo muito luxuoso. Havia muita coisa cara", diz o delegado. A diferença em relação à casa anterior é o movimento - ou a falta dele - nas proximidades. A atual residência fica em local extremamente tranquilo, onde é raro ver gente passando.

Quando o Estado visitou o local, na semana passada, ninguém atendeu ao interfone e, apesar de a janela da guarita estar aberta, não era possível ver nada lá dentro.

O advogado de Valério, Marcelo Leonardo - um dos mais renomados e caros criminalistas do Estado - afirmou que não fala sobre a vida pessoal de seus clientes e não quis comentar como Valério mantém o padrão de vida, tendo os bens bloqueados. Informou apenas que está preparado para o processo no STF, no qual fará a sustentação oral da defesa do cliente.

Além de Valério, seus ex-sócios também mantêm padrão de vida sofisticado. Nos endereços que constam nos processos a que respondem na Justiça, Ramon Hollerbach e Cristiano Paz têm residências, respectivamente, nos Bairros Serra e Lourdes, duas das áreas mais valorizadas da região centro-sul de Belo Horizonte.

Colunas sociais. Paz aparece regularmente nas colunas sociais da capital mineira, como representante da Filadélfia Comunicação Ltda., empresa de publicidade com clientes de peso. A Filadélfia está registrada na Junta Comercial mineira com capital social de R$ 200 mil, em nome de seus dois filhos, João Chaves de Mello Paz e Diana Chaves de Mello Paz. O Estado tentou falar com os advogados dos publicitários, Hermes Guerreiro e Castelar Guimarães, mas eles não foram encontrados.

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