Empresa suspeita doou R$ 3,6 mi para políticos

Segundo o TSE, Locanty, envolvida no esquema de fraude no Rio, colaborou com campanhas entre 2004 e 2010; Toesa também contribuiu em 2006

ALFREDO JUNQUEIRA / RIO , O Estado de S.Paulo

21 de março de 2012 | 03h05

Duas das empresas que tiveram representantes flagrados tentando negociar propina em processos de licitação no Instituto de Pediatria e Puericultura Martagão Gesteira da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) fizeram doações a campanhas eleitorais nos últimos oito anos. A maior parte das contribuições foi destinada a diretórios partidários fluminenses.

De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral, o maior volume foi da Locanty Soluções, que doou R$ 3,6 milhões entre 2004 e 2010. A Toesa Service contribuiu com R$ 28.700 para duas campanhas de vereadores em 2006.

O maior volume de doações ocorreu no pleito de 2010. O PMDB-RJ, partido do governador Sérgio Cabral e do prefeito Eduardo Paes, foi o principal beneficiário. No último pleito, que marcou a reeleição de Cabral e garantiu oito cadeiras para a sigla na Câmara dos Deputados e outras 12 na Assembleia Legislativa do Rio, a empresa contribuiu com R$ 1,7 milhão para o Comitê Financeiro Único e a direção estadual da sigla.

A assessoria de imprensa do PMDB-RJ, no entanto, contestou o valor informado pelo TSE, alegando que recebeu R$ 400 mil e que os recursos foram distribuídos entre candidatos às eleições proporcionais. Em nota, a assessoria de Cabral informou que sua campanha de reeleição não recebeu nenhum recurso das empresas envolvidas. "A campanha majoritária tem um comitê próprio", informou.

Depois do PMDB, o Comitê Financeiro Único do PT-RJ foi o que mais recebeu recursos da Locanty. Foram R$ 800 mil em 2010. Em seguida, vem o PSB-RJ, com R$ 350 mil. PSDB, PPS, PCdoB e PSC também foram beneficiárias de doações da empresa.

Em 2006, a Locanty distribuiu R$ 100 mil para dois candidatos a deputado federal do PSC do Rio. Nas eleições municipais de 2004, foram R$ 90 mil divididos em três doações.

A Polícia Federal, que instaurou quatro inquéritos para apurar suspeita de crimes de peculato, corrupção, fraude e formação de quadrilha, começa a ouvir hoje as 17 pessoas que foram intimadas a prestar depoimento.

Prefeitura. Ontem, Paes anunciou que os processos licitatórios que envolvem a Prefeitura do Rio e as quatro empresas denunciadas vão ser investigados pela corregedoria-geral e a procuradoria-geral do município. Ele admitiu a hipótese de fraudes em concorrências públicas promovidas pelo município.

"Não descarto absolutamente nada. Tudo tem de ser investigado", declarou Paes, durante recepção ao presidente do Comitê dos Jogos Olímpicos de Londres 2012, Sebastian Coe. "A simples substituição das vencedoras por aquelas que ficaram em segundo ou terceiro lugar nas licitações não é o caminho mais adequado, uma vez que há suspeitas de que as demais empresas estavam envolvidas num processo viciado", disse o prefeito.

O escândalo de fraudes nos processos de licitação do Instituto de Pediatria foi detonado a partir de reportagem exibida domingo pelo Fantástico, que mostrou representantes da Toesa, Locanty, Bella Vista Refeições Industriais e Rufolo oferecendo propinas e combinando preços para simular concorrências. / COLABOROU SILVIO BARSETTI

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