Empresa ligada a marido de Erenice perde autorização

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) extinguiu ontem a autorização para que a Unicel operasse serviços de telefonia celular na Região Metropolitana São Paulo. A companhia, que nunca chegou a operar comercialmente em grande escala, era ligada ao marido da ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra. Ela deixou o cargo após acusações de tráfico de influência.

EDUARDO RODRIGUES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2012 | 02h11

A Unicel foi a única concorrente em uma licitação realizada pela Anatel ainda em 2005, mas não chegou a ser declarada vencedora do leilão por não ter depositado as garantias exigidas no edital. A empresa, porém, foi homologada pelo órgão regulador dois anos depois e desde 2007 esteve apta a oferecer planos.

No seu auge, em 2010, a companhia chegou a ter 20 mil linhas ativas sob a marca "aeiou", mas depois disso foi à falência.

O presidente da Unicel, José Roberto Melo da Silva, era padrinho de casamento de Erenice e empregou o marido da ex-ministra, José Roberto Camargo Campos, como consultor para a implantação da rede da empresa.

As denúncias contra a companhia se baseavam na forma como a sua autorização foi concedida pela Anatel: com base apenas em testes, sem uma comprovação da capacidade técnica e financeira da operadora.

Na época da emissão da licença, em 2007, Erenice era secretária executiva da Casa Civil e teria atuado junto à então ministra Dilma Rousseff para facilitar a homologação da outorga.

A empresa havia conseguido uma liminar que impedia o órgão de julgar o caso, mas a Anatel finalmente deliberou sobre essa questão ontem. Segundo o relator do processo, Marcelo Bechara, a autorização da Unicel foi concedida a "título precário" e a companhia nunca apresentou garantias de que poderia atuar.

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