Empresa deve prosseguir com obras, diz Aldo

Ministro defende que Delta, investigada na CPI, continue com trabalhos para a Copa de 2014

MARCELO PORTELA , BELO HORIZONTE , O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2012 | 03h06

O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, descartou ontem a possibilidade de prejuízo aos trabalhos de preparação do País para a Copa do Mundo de 2014 por causa das investigações da Polícia Federal em torno da Delta Construção. A empreiteira será um dos alvos da Comissão Parlamentar de Inquérito, a CPI do Cachoeira, que deve ser instalada hoje no Congresso.

A Delta é a empresa que mais recebe recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para fazer obras nas cidades-sede do Mundial. "Não vejo por que a investigação tenha que significar paralisia das obras", disse Rebelo, Na capital mineira, a Delta é responsável, com a Cowan, por obras nas Avenidas Antônio Carlos e Pedro I. Relatório técnico do Tribunal de Contas do Estado encontrou indícios de superfaturamento de R$ 6 milhões nas obras. A corte enviou ofício à prefeitura e à Superintendência de Desenvolvimento da Capital para que se manifestem sobre as irregularidades e, caso a resposta não seja satisfatória, o tribunal pode determinar a suspensão ou cancelamento do contrato.

Rebelo visitou ontem o Mineirão, a poucos metros de uma das obras nas quais o TCE apontou irregularidades. Ao lado de Rebelo, o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), disse que os projetos para a Copa são fiscalizados por órgãos federais e estaduais e classificou os indícios de irregularidades como "apenas uma discordância técnica" que "não vai prejudicar o andamento das obras". "Nos próximos dias encaminharemos as explicações ao TCE e, se tivermos que fazer ajustes, faremos." Rebelo espera que a CPI não prejudique outros preparativos necessários ao evento, como a aprovação da Lei Geral da Copa pelo Senado. "A CPI não pode significar paralisia das outras atividades."

Caça-níqueis. Aproveitando o embalo das investigações em torno da relação de políticos com Cachoeira, o deputado estadual Sargento Rodrigues (PDT) protocolou ontem na mesa da Assembleia Legislativa de Minas pedido de instalação de outra CPI, desta vez para investigar o envolvimento de policiais e "outros agentes públicos" com a exploração de caça-níqueis em Minas.

É a quarta vez que Rodrigues apresenta o requerimento. "Assim que apresento o pedido, a base do governo pega a lista e assedia os deputados para que eles retirem as assinaturas", disse. O Estado tentou falar com o presidente da Assembleia e o líder do governo na casa, os tucanos Dinis Pinheiro e Bonifácio Mourão, sem sucesso. Os dois tucanos que haviam assinado o pedido, Leonardo Moreira e Rômulo Viegas, retiraram as assinaturas antes da apresentação do requerimento.

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