Empreiteiras lideram ranking de doação privada

Construtora Andrade Gutierrez é a que mais doou: R$ 23 milhões para direções de 14 partidos; OAS foi a segunda maior financiadora

AMANDA ROSSI, DANIEL BRAMATTI, O Estado de S.Paulo

15 Setembro 2012 | 03h01

Seis dos dez maiores doadores privados para campanhas de prefeitos e vereadores em todo o País são empreiteiras. A líder do ranking é a Construtora Andrade Gutierrez, de acordo com a segunda prestação de contas parcial entregue por candidatos, comitês e partidos, referente ao período até o início de setembro.

A Andrade Gutierrez doou pouco mais de R$ 23 milhões para as direções de 14 partidos. Dessa forma, não é possível saber exatamente qual candidato se beneficiou do dinheiro - são as chamadas doações ocultas.

O governista PMDB e o oposicionista PSDB, juntos, receberam mais da metade dos recursos da Andrade Gutierrez. O PT ficou com apenas 6% do total.

A segunda colocada no ranking de financiadores foi a OAS, também do setor de construção civil. Nesse caso, 76% dos recursos foram para doações ocultas e 24% destinados para campanhas de candidatos específicos.

Nos repasses da OAS feitos diretamente para candidatos, os petistas se destacam. Da lista de 18 beneficiados, 13 são do partido da presidente Dilma Rousseff. O que recebeu o maior quinhão foi Fernando Haddad, candidato à Prefeitura de São Paulo, com R$ 1 milhão. O tucano José Serra (PSDB), adversário de Haddad, ficou com R$ 750 mil.

Levando-se em conta o total de doações da empresa - para candidatos, comitês e partidos -, o PT também ficou em primeiro lugar, com 36%. A seguir vieram o PMDB, com 23%, e o PSDB, com 11%.

Andrade Gutierrez e OAS têm no setor público sua principal fonte de receitas. A primeira, por exemplo, atua na construção de hidrelétricas, instalação de linhas do programa Luz Para Todos e reformas de aeroportos, entre outros. A segunda lista entre suas principais obras a intervenção urbanística nas favelas do Complexo do Alemão, no Rio.

Balanço. Além de empreiteiras, aparecem na lista dos dez maiores doadores privados dois bancos (Alvorada, controlado pelo Bradesco, e BMG), um frigorífico (JBS) e uma empresa de importação e exportação (Coimbra). No total, as dez empresas alimentaram campanhas com R$ 79 milhões até o começo do mês. Desse valor, só 17% foram encaminhados diretamente para as contas de candidatos, e o restante para comitês e partidos.

Até as eleições, o Tribunal Superior Eleitoral não divulgará nova prestação de contas, já que a legislação prevê apenas a publicação de duas parciais. O fato é criticado pelo juiz eleitoral Márlon Reis, do Maranhão. "E as doações na reta final da campanha, que podem ser as maiores?"

Procurada pelo Estado, a Construtora Andrade Gutierrez afirmou que sua participação no processo eleitoral "é realizada de forma oficial, de acordo com as regras da legislação brasileira e do TSE". O Estado não obteve resposta da OAS e do Banco BMG. O Bradesco disse que não comentaria o assunto.

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