Empreiteira ligada a esquema é doadora de Dilma e Aécio

UTC Engenharia é citada em depoimento de ex-diretor; empresa diz repudiar acusações e nega ilegalidade

O Estado de S. Paulo

05 de setembro de 2014 | 22h14

Quinta maior doadora, até o momento, da campanha de Dilma Rousseff, a UTC Engenharia foi uma das empresas envolvidas pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa na delação premiada que está fazendo desde a sexta-feira da semana passada.

O ex-diretor citou como uma das empresas que fechou contratos com a estatal em troca de pagamento de propina a políticos. Segundo o ex-diretor, 3% do valor dos contratos seria destinado no esquema do qual era um dos principais elos entre empreiteiras e políticos. A UTC também é, até o momento, a quinta maior doadora da campanha do tucano Aécio Neves.

Dos R$ 123,6 milhões arrecadados pela campanha de Dilma, a empreiteira foi responsável pela doação de R$ 5 milhões. Entre os R$ 44,5 milhões recebidos pela chapa de Aécio, a empresa despejou R$ 1 milhão. A adversária de ambos, a candidata do PSB Marina Silva, não recebeu doações da UTC, conforme os dados da segunda prestação de contas. A empreiteira já havia sido citada em um dos cadernos de Costa, apreendidos pela Polícia Federal no curso da Operação Lava Jato.

Em nota, a empresa negou qualquer envolvimento em irregularidades.. “A UTC é uma empresa com 40 anos no mercado, referência no segmento de óleo e gás. As obras realizadas para a Petrobrás foram contratadas através de processos licitatórios, seguindo todos os trâmites legais. A UTC repudia qualquer insinuação envolvendo seu nome a práticas que contrariam as leis e a ética.”

Empreiteiras. Nomes de empreiteiras foram mencionados no escândalo que envolve Costa e o doleiro Alberto Youssef desde que a Polícia Federal deflagrou a Operação Lava Jato, em março deste ano.

Semanas após as primeiras buscas e apreensões, tornou-se público que a PF havia encontrado, na casa de Costa, uma planilha de operações intermediadas por ele entre a Petrobrás, empreiteiras e fornecedores.

Foi divulgada uma lista de empreiteiras acusadas pelo Ministério Público de repassarem dinheiro para a MO Consultoria, empresa de fachada do doleiro Youssef. Estavam no grupo Camargo Corrêa, OAS e Galvão Engenharia.

Os procuradores responsáveis por uma das denúncias decorrentes da Operação Lava Jato sustentaram que “todos os recursos repassados para a MO Consultoria são provenientes de propina, pelo fato de essa empresa existir apenas formalmente, sequer tendo empregados registrados e não apresentando declaração de Imposto de Renda”.

O capítulo da Lava Jato que mais provoca suspeitas sobre a relação das empreiteiras com o grupo de Costa e Youssef é o que trata da construção da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco. 

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