Embate entre pupilos decide futuro de caciques

Lançados por seus padrinhos, candidatos do PT e do PSB fazem disputa equilibrada

EUGÊNIA LOPES, ENVIADA ESPECIAL / FORTALEZA, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2012 | 03h05

Independentemente do resultado de hoje nas urnas de Fortaleza, o embate entre o PT e o PSB pela prefeitura da capital cearense expõe o estremecimento das relações entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro Ciro Gomes. O megacomício protagonizado por Lula na reta final da campanha do petista Elmano de Freitas não foi digerido pelos irmãos Ferreira Gomes, que apoiam Roberto Cláudio, do PSB, na corrida municipal.

Ex-ministro do governo Lula, Ciro sente-se "traído" pelo antigo chefe, que cedeu aos apelos da prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, e foi pedir votos pessoalmente para o petista, arrastando uma multidão de 50 mil pessoas. No 1.º turno, o ex-ministro já tinha ficado magoado com a aparição de Lula e da presidente Dilma Rousseff em inserções para televisão e rádio defendendo a candidatura do petista. Agora, as relações azedaram de vez.

Por trás das mágoas e da disputa acirrada pela prefeitura de Fortaleza está em jogo o futuro político não só dos irmãos Ferreira Gomes como também de Luizianne Lins, que disputam a hegemonia no Ceará. Tanto Elmano quanto Roberto Cláudio são apontados como "postes", lançados por seus padrinhos políticos na corrida municipal.

Se Roberto Cláudio sair vitorioso das urnas, Ciro Gomes ganha força para disputar espaço dentro do PSB com o presidente da sigla e governador de Pernambuco, Eduardo Campos. O sucesso do PSB no 1.º turno das eleições municipais aumentou o cacife de Campos, que sonha em disputar a Presidência da República. Desejo também acalentado por Ciro Gomes, duas vezes candidato derrotado nas eleições presidenciais (em 1998 e em 2002).

Além disso, uma vitória de Roberto Cláudio fortalece a oligarquia dos Ferreira Gomes na disputa pela sucessão estadual de 2014. Um dos candidatos naturais do clã ao governo cearense é o ministro dos Portos, Leônidas Cristino, ex-prefeito de Sobral, reduto eleitoral da família Gomes.

No entanto, essa candidatura esbarra nas pretensões do senador Eunício Oliveira, do PMDB, que almeja concorrer ao governo do Ceará com o apoio do PT e do PSB. De olho no apoio dos Ferreira Gomes em 2014, Eunício indicou o vice na chapa de Roberto Cláudio. O peemedebista nutre esperanças de conseguir manter em torno de sua candidatura a aliança que reelegeu Luizianne Lins, em 2008, e Cid Gomes, em 2010, mas se desfez agora nas eleições de Fortaleza.

Respaldo. Já a conquista da prefeitura por Elmano consolidaria Luizianne Lins e seu grupo no comando do PT cearense. Ao mesmo tempo, ela sai com respaldo eleitoral suficiente para decidir se, em 2014, será candidata ao governo do Estado ou ao Senado. Seu principal oponente dentro do partido é o deputado José Guimarães (PT-CE), que não esconde a pretensão de ser o escolhido para concorrer à sucessão de Cid Gomes.

A briga entre PT e PSB pela prefeitura de Fortaleza também põe fim a uma aliança de mais de sete anos no Estado. Até meados de junho, os dois partidos estavam juntos tanto na prefeitura quanto no governo estadual. "A aliança no Ceará, dada a disputa por Fortaleza, vai impor um novo reposicionamento do PT", diz Guimarães. Ele prefere, no entanto, não adiantar que tipo de "reposicionamento" será feito pelo PT. "Não vamos pôr a carroça na frente dos bois."

Mesmo em campo oposto ao PSB na corrida municipal, o PT ainda ocupa quatro secretarias de Estado do governo Cid Gomes. Três desses secretários subiram no palanque de Elmano de Freitas quando Lula passou por Fortaleza. A expectativa é que, passado o 2.º turno, eles acabem defenestrados pelo governador. Já o PSB não ocupa cargos de primeiro escalão na prefeitura de Fortaleza.

Numa aliança com 14 partidos, cuja estrela é o PMDB, a candidatura de Roberto Cláudio conseguiu angariar, no 2.º turno, o apoio de outros cinco candidatos derrotados no 1.º turno. Já o PT, que tem o PR como vice na chapa de Elmano de Freitas, conquistou o apoio de siglas que tiveram candidatos inexpressivos.

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