Embate com PSDB esfria relação da petista com Alckmin

Encontro dos dois ontem em SP foi protocolar, já que os tucanos criticaram presidente após discurso em cadeia de rádio e TV

O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2013 | 02h04

Um dia após tucanos e petistas se atacarem por causa do pronunciamento da presidente Dilma Rousseff (PT), em cadeia de TV e rádio, sobre a redução nas contas de luz, ela e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), tiveram um encontro protocolar no lançamento do projeto de construção do Centro Paraolímpico Brasileiro, parceria entre os governos federal, estadual e municipal.

Embora tenham mantido a cordialidade tradicional das agendas públicas conjuntas de ambos no Estado, Dilma e Alckmin foram muito mais contidos do que em eventos anteriores. Em 13 de setembro de 2011, quando assinaram no Palácio dos Bandeirantes o convênio para a construção do trecho norte do Rodoanel, Dilma chegou a enaltecer a parceria "excepcional" com Alckmin, que por sua vez falou de seriedade e integridade ao abordar a boa relação com a presidente. A relação amistosa do tucano com a petista já havia despertado críticas de correligionários de ambos, que consideram a proximidade perigosa sob o ponto de vista eleitoral.

No evento de ontem, o governador e a presidente foram mais breves e menos elogiosos. Alckmin discursou por cinco minutos, e na única menção a Dilma, afirmou: "São Paulo é parceiro do Brasil. Conte comigo, presidente". Ele também listou algumas das parcerias do Estado com o governo federal, como o Rodoanel, o Ferroanel e o Minha Casa, Minha Vida.

A presidente falou por 16 minutos e disse participar "com muito orgulho aqui com o governador Geraldo Alckmin do lançamento desse centro e desse projeto". Disse também saber "que determinados desafios a gente consegue responder melhor quando fazemos em conjunto".

O pronunciamento de oito minutos de Dilma na TV na última quarta-feira, em que atacou os que fazem "previsões alarmistas" a respeito de um possível racionamento de energia, levou os tucanos a acusarem a petista de usar a máquina federal para preparar sua reeleição.

Ontem, o PSDB informou que analisa a possibilidade de entrar com uma representação contra Dilma em função do pronunciamento. O partido afirma haver presença de "elementos publicitários" no vídeo e "forte identidade com os filmes exibidos na campanha eleitoral".

Um dia após o pronunciamento o PSDB havia emitido nota, assinada por seu presidente nacional, Sérgio Guerra, em que acusava o governo do PT de "ultrapassar o limite perigoso para a sobrevivência da jovem democracia brasileira". O documento também afirmava que Dilma "faltou com a verdade, fez ataques a seus adversários, criticou a imprensa e desqualificou os brasileiros que ousam discordar de seu governo".

Em resposta, o presidente do PT, Rui Falcão, declarou que "os tucanos vestiram a carapuça". "Eles se identificaram com a referência da presidenta Dilma àqueles "que são sempre do contra" e que "estão ficando para trás", porque não acreditavam que era possível o Brasil crescer e distribuir renda. Falcão afirmou não faltar democracia aos governos do PT. "Tanto que, embora os governos do PSDB tenham se oposto à redução das tarifas de energia, as populações de Estados governados por eles serão beneficiadas." / F.G. e J.D.

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