Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Em vídeo, Lula pede fim de 'partidos laranja'

Posicionamento do ex-presidente é o mais enfático desde que o PT lançou sua campanha pela reforma política

JOSÉ ROBERTO CASTRO, Agência Estado

17 de julho de 2014 | 16h09

São Paulo - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quinta-feira, 17, no terceiro vídeo divulgado por seu instituto, uma reforma política feita por iniciativa popular que acabe com "partidos laranja" e "partidos de aluguel". "(Defendemos) Um projeto de lei que possa mudar substancialmente a política brasileira, ter partidos mais sérios, acabar com os partidos laranjas, os partidos de aluguel, acabar com partidos que utilizam seu tempo para fazer negócio", afirmou o ex-presidente.

A fala do ex-presidente é a mais enfática sobre o assunto desde que a presidente Dilma Rousseff anunciou a proposta de realizar um plebiscito para a reforma política, após os protestos de junho de 2013. A proposta foi alvo de críticas de parlamentares, sobretudo da oposição, e não saiu do papel. O PT, contudo, lançou uma campanha pela reforma política e vem coletando assinaturas para elaboração de um projeto de Lei de iniciativa popular para instaurar uma Assembleia Nacional Constituinte. Desde então Lula vem publicando vídeos e divulgando material sobre o assunto. Radicalmente contra o financiamento privado de campanha - já que o público "é a forma mais honesta na face da terra de financiar uma campanha para não permitir que os empresários tenham influência na eleição da pessoa" -, o ex-presidente defende a fiscalização para garantir a transparência no uso dos recursos pelo partido. "Sou tão sectário neste aspecto que acho que o financiamento privado de campanha deveria ser crime inafiançável. Não pode ter dinheiro privado, o voto vale 1, 2 reais, os partidos recebam o que lhe é de direito."

Para isso, Lula defende uma a eleição de uma constituinte exclusiva para a reforma política. Os parlamentares eleitos para a reforma não poderiam se candidatar para outros cargos no pleito seguinte. "Por isso que nós do PT estamos começando uma campanha de criar um projeto de lei de iniciativa popular - vamos para porta de fábrica, aproveitar a campanha para ir a comércio, lojas, comícios, pegar assinatura para dar entrada em um projeto de lei que possa mudar substancialmente a política brasileira".

Segundo ele, não são apenas os jovens que estão desencantados com a política, mas toda a sociedade. "Outro dia, numa entrevista para a imprensa estrangeira eu disse que a política está apodrecida, aqui no Brasil e em várias partes do mundo, porque há uma negação, uma rejeição a político. "A fragilidade das lideranças (políticas) cresceu muito no mundo, já não tem a mesma representatividade e a política aparece na televisão como se fosse sinônimo de coisa ruim."

Lula fala ainda em outros pontos que considera importantes em uma eventual reforma política. Na opinião dele, o voto em lista é um avanço, uma vez que "o deputado não pode ser um deputado avulso, tem que ser um deputado do partido. "Se ele traiu o programa do partido, tem que ser expulso e o manda pertence ao partido".

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