Em vídeo à militância, PT nega o mensalão

Trabalho distribuído ontem por Rui Falcão afirma que empréstimos eram dinheiro privado, já foram quitados e que nenhum petista enriqueceu

BRUNO LUPION, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2012 | 03h04

Em um claro recado à militância petista, para que se prepare para o julgamento do mensalão - a ser iniciado na próxima quinta-feira, no Supremo Tribunal Federal (STF) - o presidente nacional do PT, Rui Falcão, divulgou ontem um vídeo em que nega a existência do suposto esquema de desvio de recursos públicos para comprar apoio de parlamentares durante o governo Lula.

Na peça, Falcão resume os argumentos centrais da defesa e tenta afinar o discurso da militância para enfrentar cobranças e críticas. O julgamento deve durar um mês e meio e receber grande cobertura da imprensa.

No vídeo, Falcão aparece à frente de um painel com a estrela do PT e nega que tenha havido compra de votos no Congresso ou pagamento - "nem mensal, nem a qualquer título" - a parlamentares para que votassem a favor do governo. Rejeita, ainda, que dinheiro público tenha sido usado para irrigar as contas de parlamentares da base aliada.

Na denúncia, apresentada ao STF em 2006, o ex-procurador-geral da República Antônio Fernando de Souza afirma que o esquema, supostamente liderado pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoino e o ex-tesoureiro da sigla Delúbio Soares, desviou verbas de contratos com órgãos públicos para o chamado "valerioduto" - contas das agências do empresário mineiro Marcos Valério de Souza. Falcão reconhece, apenas, o uso de empréstimos para pagar despesas de campanha do PT e de partidos aliados, mas sustenta que eles teriam sido feitos por bancos privados e já estariam quitados.

O presidente do PT também tenta afastar a tese de que os envolvidos no caso teriam se beneficiado pessoalmente com o suposto esquema. "Nenhum dos petistas acusados se beneficiou de qualquer recurso para fins pessoais, da mesma forma nenhum deles enriqueceu", disse.

Pressão sobre o STF. Em um esforço para minimizar pressões pela condenação, Falcão pede, em seu discurso, que os ministros do STF firmem sua convicção e se pronunciem exclusivamente com base nas provas dos autos, "a despeito dos que clamam pelo linchamento moral e pela condenação política".

Nesta segunda-feira, 23, a corregedora-geral de Justiça, Eliana Calmon, afirmou que, ao analisar o mensalão, o STF seria julgado pela opinião pública. "Há por parte da Nação uma expectativa muito grande e acho também que o Supremo está tendo o seu grande julgamento", disse a corregedora-geral, antes de proferir uma palestra no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo sobre a atuação da Corregedoria que comanda.

A fala da ministra desagradou aos ministros do STF e foi definida como "amplamente dispensável" por Marco Aurélio de Mello. "O que se espera, de fato, é que o julgamento fique exclusivamente restrito ao que os autos contêm. Manifestações desse tipo criam toda uma excitação", criticou Mello. "A toda hora estamos sendo julgados. Não é só nesse caso", acrescentou o ministro Gilmar Mendes.

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