Em SP, Vila Mariana é campeã das emigrações

Distrito tinha no ano passado 1.341 habitantes vivendo no exterior; taxa de saída, diz sociólogo, é maior em áreas com padrão de vida mais alto

CAIO DO VALLE , FELIPE TAU / JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2011 | 03h03

Dos 96 bairros da cidade de São Paulo, a Vila Mariana é o que mais "exporta" paulistanos. No ano passado, 1.341 habitantes originários do distrito da zona sul viviam no exterior, especialmente nos Estados Unidos, no Japão, na Austrália e no Reino Unido.

Os dados fazem parte do Censo 2010 e foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A estudante Isadora Horita, de 18 anos, é uma prova disso. Ela cursa Relações Internacionais e escolheu os EUA para ter a primeira experiência profissional. Moradora da Vila Mariana, Isadora embarca em janeiro para a Califórnia, onde fará um curso para trabalhar seis meses nos parques da Disney, na Flórida. "Vai contar mais para o meu currículo. É um dos melhores lugares para se trabalhar", justifica.

Segundo especialistas, a elevada quantidade de moradores com padrão de vida alto e a presença de muitos estudantes na região explicam o fenômeno. Além de postos de trabalho mais interessantes, o aperfeiçoamento da educação - com cursos de idioma ou extensão universitária - está entre os principais motivos para a saída dessas pessoas.

"Ou seja, há um patamar mínimo de renda que a pessoa precisa ter para conseguir emigrar", diz o sociólogo Jefferson Mariano, analista do IBGE. "Distritos muito miseráveis estão praticamente fora do processo."

Dos dez distritos de onde mais saíram pessoas para morar no exterior, sete estão entre os que mais contam com pessoas que ganham dez ou mais salários mínimos. Além da Vila Mariana, a lista inclui Jardim Paulista, Saúde, Itaim Bibi e Moema, na zona sul, e Perdizes, na região oeste.

Na outra ponta, dos dez distritos com menor taxa de emigrantes, metade é de bairros onde há menos pessoas com semelhante rendimento. Marsilac, no extremo da zona sul, e Anhanguera, na zona norte, tinham, respectivamente, apenas 9 e 31 de seus moradores vivendo no exterior. A Sé, na região central, Perus, na norte, e Iguatemi, na zona leste, também estão entre os bairros com menor rendimento per capita que registraram ex-moradores vivendo fora do Brasil.

Alto custo. Os preços de pacotes de estudos dão uma noção de que passar uma temporada no exterior ainda não tão fácil. Seis meses em Nova York ou em Londres, por exemplo, podem custar cerca de R$ 28 mil, incluindo acomodação e curso de inglês com cinco horas de aula por dia, segundo Fábio Carola, diretor da IE Intercâmbio, no Paraíso.

Segundo ele, 40% dos alunos preferem a Europa, que também permite acesso a outras línguas, como alemão, espanhol e francês. Outros 30% escolhem o Canadá e 20% os Estados Unidos. "Os EUA são mais procurados por quem busca trabalho ou pós-graduação", explica Carola.

O geógrafo Douglas Santos, da PUC-SP, adverte que processos migratórios internos são bem diferentes dos dirigidos ao exterior. "O perfil não é igual. A emigração rumo aos EUA, Europa e à Oceania está mais no imaginário da classe média alta. Nas periferias, o que já se vê é o retorno a regiões de origem no Nordeste."

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