Em SP, Haddad nega fazer campanha durante o expediente

Pré-candidato do PT se irritou ao ser questionado sobre presença em ato de vereador durante dia de trabalho no ministério

MARIANA MANDELLI, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2011 | 03h05

Pré-candidato do PT à Prefeitura, Fernando Haddad ficou irritado ontem ao ser perguntado se não estava em atividade partidária durante o expediente de ministro da Educação. O questionamento foi feito quando ele participava de uma reunião do mandato do vereador Ítalo Cardoso, líder do PT na Câmara Municipal.

Ontem foi feriado dos servidores públicos, mas o Executivo transferiu o ponto facultativo para o dia 14, uma segunda-feira, fazendo a ponte do fim de semana com o Dia da Proclamação da República. Haddad negou que tivesse tirado o dia de folga e disse que despachou de São Paulo. "O feriado foi transferido, Eu tinha uma gravação hoje que não tive como remarcar e, por isso, fiquei", justificou o ministro.

Haddad viajou para São Paulo na quinta-feira, para a festa de aniversário do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, principal defensor de sua candidatura a prefeito. A gravação da manhã de ontem, segundo Haddad, era do PT, mas não teria relação com sua candidatura. "Gravei até as 9 horas e fui trabalhar. Depois vim para cá (Câmara)", disse.

Questionado sobre onde estaria trabalhando, ele afirmou que despacha de sua casa e da Unifesp, na zona sul, e ofereceu o celular para mostrar as ligações. "Como eu trabalhei sábado e domingo em Brasília, que são dias de folga, eu tirei a manhã de hoje para fazer a gravação."

A assessoria de imprensa do MEC afirmou que "em nenhum momento Haddad se ausentou de suas funções como ministro" e que "comandou todo o processo de defesa do Enem durante o dia de ontem por telefone".

Oposição. Durante a reunião do mandato de Ítalo Cardoso, Haddad fez discurso de candidato de oposição à gestão do prefeito Gilberto Kassab (PSD). Diante de uma plateia de militantes petistas, criticou as administrações do PSDB e de Kassab na Prefeitura.

"Qual o principal projeto de São Paulo hoje? Tirar os outdoors. É esse nosso cartão de visita?", questionou, citando a Lei Cidade Limpa, principal bandeira da primeira gestão de Kassab. "Como nós, paulistanos, vamos enfrentar o debate da globalização para atrair inteligência, economia de ponta e emprego de qualidade? Hoje nós não temos o que apresentar."

Já ensaiando o discurso que deve pautar a candidatura do PT, seja qual for o nome escolhido pelo partido, Haddad atacou outra bandeira de Kassab: o repasse de verba municipal para os investimentos do governo do Estado na ampliação da rede de metrô. "Um quilômetro de metrô por ano não vai resolver. O que falta é vigor. A locomotiva do País está anestesiada, andando com marcha lenta", afirmou Haddad. E tentou animar a plateia de militantes. "As pessoas falam: São Paulo é conservadora, nós não vamos ganhar. Será? A cidade já elegeu um negro, uma nordestina, uma mulher de elite que veio para o PT e um turco. Já elegeu gente muito diferente. São Paulo está aberta."

Prévias. Haddad também foi questionado sobre o processo interno do PT para a escolha do candidato do partido à Prefeitura. Embora conte com o respaldo de Lula e das principais correntes da sigla, o ministro acredita que a definição será mesmo no voto. "Tudo leva a crer que ocorrerão prévias", afirmou.

A votação está marcada para 27 de novembro e as pré-candidaturas têm de ser inscritas até o dia 7. São pré-candidatos os senadores Eduardo e Marta Suplicy e os deputados Carlos Zarattini e Jilmar Tatto.

Haddad afirmou que o processo interno, com reuniões nos 36 diretórios zonais do PT na capital e a votação do dia 27, fortalece o partido. "As pessoas temem as prévias porque ficam preocupadas com o clima entre os candidatos. Mas já estamos há dois meses discutindo e o clima entre nós, que já era bom no início, só melhorou", disse o ministro. "As prévias, se ocorrerem, serão uma festa partidária."

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