Em SP, Dilma reforça discurso contra gestão tucana

Ao lado de Lula, candidata à reeleição disse que se trata de 'não deixar eles (PSDB) voltarem'

Isadora Peron, Ana Fernandes e Carla Araújo, O Estado de S. Paulo

21 de outubro de 2014 | 00h51

Animada com o resultado da pesquisa Datafolha, a presidente Dilma Rousseff (PT) terminou o dia desta segunda-feira num ato no qual conclamou a militância para ir às ruas nesta última semana de campanha. O evento reuniu mais de 4 mil pessoas dentro e fora do Tuca, teatro da PUC, em São Paulo, e contou com a presença de artistas, intelectuais, estudantes e aliados históricos do PT.

Em seu discurso, Dilma fez um balanço da campanha até agora e disse que ela não tem medo de perder as eleições para o candidato do PSDB, Aécio Neves. “Eles nunca nos aterrorizaram, nem nunca nos aterrorizarão”, afirmou.

Dilma bateu seguidamente na tecla da crise hídrica que atinge o Estado de São Paulo. A presidente argumentou que o PT, no governo federal, preparou o país para prover energia e evitar a volta do racionamento, ocorrido no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), enquanto os tucanos em São Paulo não se precaveram para garantir o abastecimento de água.

“Eles, quando foram governo, deixaram esse País às escuras, porque não planejaram, porque fizeram aquela privatização maluca, olharam o País e não viram os interesses conjuntos da população, viram interesses de alguns grupos econômicos. No caso da água, é a crônica de uma morte anunciada”, disse.

Diante do clima de acirramento da disputa com o tucano nos últimos dias, coube ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fazer uma defesa da afilhada política. Segundo ele, nunca uma pessoa foi tão criticada durante uma campanha. Ele repetiu o discurso de que achava que não era respeitado pelos seus adversários por ser metalúrgico, mas disse que o que está acontecendo com Dilma é ainda pior.

“O problema não é ser nordestino, metalúrgico, porque eles tratam bem pior uma mulher. Uma mulher que estudou na Unicamp, que não pode ser chamada de ‘analfa’ como eu. Eles deviam respeitar essa mulher”, afirmou.

Sem citar Aécio, disse que “jamais teria a petulância de chamar uma mulher de leviana ou mentirosa”. “Isso a gente não aprende de universidade, aprende de berço”, afirmou. Segundo avaliações internas do PT, o discurso de que Aécio é agressivo com as mulheres foi o principal fator que levou à virada de Dilma nas pesquisas divulgadas na segunda-feira.

O ex-presidente arrancou risadas da plateia ao afirmar que, apesar das reviravoltas da campanha deste ano, no final a eleição seria mais uma vez decidida entre “a estrela do PT” e o “bico dos tucanos”. “Tinha analista político achando que a Marina Silva iria ganhar com 150% dos votos”, afirmou sobre a ex-ministra do seu governo que virou candidata à Presidência pelo PSB após a morte de Eduardo Campos. 

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