Reprodução/Facebook Lula
Reprodução/Facebook Lula

Em programa na rádio, como 'candidato' Lula cita ONU e defende seu nome nas urnas

O TSE rejeitou o registro da candidatura do petista e sua aparição na propaganda política como candidato, mas autorizou a veiculação do programa do PT na rádio na manhã de sábado por conta da hora da decisão

Denise Abarca, O Estado de S.Paulo

01 Setembro 2018 | 10h50

O primeiro programa eleitoral no rádio dos candidatos à Presidência da República foi ao ar às 7h deste sábado, 1º, ainda com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso e condenado na Operação Lava Jato, como um postulante ao Planalto nas eleições 2018. Em sessão que terminou nesta madrugada, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou o registro da candidatura do petista e sua aparição na propaganda política como candidato. Contudo, autorizou a veiculação do programa do PT na rádio como programado antes do término do julgamento - ou seja com Lula como um presidenciável - dado o adiantado da hora em que a decisão foi tomada. 

Os candidatos a Presidente da República iniciam suas participações na propaganda eleitoral de rádio fazendo reforçando discursos a eleitores que tentam alcançar neste início de campanha no chamado palanque digital. O Partido dos Trabalhadores dedicou seu espaço a exaltar a candidatura do ex-presidente, com a defesa da aposentadoria e do emprego. A propaganda do PT iniciou sua exposição afirmando que as Organizações das Nações Unidas (ONU) já tinham decidido "que Lula pode ser candidato e presidente do Brasil" -  na verdade foi um comitê independe ligado à ONU. "Ele pode sim, em Curitiba o povo não arreda pé e não abandona Lula nem um minuto", afirma a locução. Lula está preso em Curitiba desde abril.

Com o maior tempo de exposição, 5,32 minutos, a coligação formada pelos partidos PTB, PP, PR, DEM, SD, PPS, PRB, PSD e PSDB, que tem como candidato o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, fez críticas ao candidato do PSL, Jair Bolsonaro, que, nas simulações de cenário sem a presença de Lula nas pesquisas, lidera as intenções de voto. O locutor da campanha afirma que, em sua entrevista nesta semana no Jornal Nacional, da TV Globo, Bolsonaro admitiu que votou contra o direito das domésticas. "E ainda se orgulha!!", diz o locutor, que, na sequência, questiona: "Bolsonaro, o que você tem contra pobre?".

A estratégia do PSDB é apostar no eleitor indignado, que hoje tende a caminhar com o candidato do PSL, mas que não está seguro com o discurso mais "incisivo" e "violento" do ex-capitão do Exército. As qualitativas do partido mostram que há espaço para crescer neste público não fidelizado de Bolsonaro. A mesma aposta tem a Marina Silva, da Rede, Henrique Meirelles (PMDB) e Ciro Gomes (PDT).

Ainda com relação a Bolsonaro, a propaganda do PSDB afirma que "as coisas não se resolvem na bala" e que "agir com ódio" não é a melhor solução. "Votar na base do ódio não dá certo, não é melhor votar em alguém mais equilibrado?", diz o locutor. Procurada, a campanha do deputado do PSL não se manifestou.

Em sua propaganda, que tem apenas 8 segundos, Bolsonaro focou no slogan de sua campanha. "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos", declarou rapidamente o candidato, penúltimo na ordem de disposição das campanhas no rádio.

O horário eleitoral no rádio foi iniciado por Marina Silva que, também com tempo de exposição exíguo, exaltou as mulheres. "Juntas somos fortes. Essa luta é nossa", afirma a candidata. Também com rápida participação, o candidato Cabo Daciolo (Patriota) priorizou a questão da corrupção. "Glória a Deus! Chega de escravidão, chega de corrupção."

O candidato do MDB destacou sua experiência em governos anteriores como a qualidade necessária para "salvar o Brasil em momentos difíceis". "Sempre sou chamado para resolver os problemas que os políticos não sabiam como resolver. Lula me chamou, o Brasil estava em crise, criamos dez milhões de empregos e programas importantes", disse o ex-ministro da Fazenda. "Veio a Dilma, errou feio na economia e o novo governo (Temer) me chamou para arrumar a casa e evitar o colapso. Quero ser presidente para fazer as coisas certas desde o começo", emendou.

Ressaltou ainda que "o mundo não se divide entre quem gosta e não gosta de Lula e FHC e sim em quem ajuda ou não ajuda", acrescentando que nunca teve "processo na vida".

O mote de regularizar a situação financeira da população foi o destaque da breve participação do candidato do PDT, Ciro Gomes, na propaganda de rádio, assim como o desemprego. "Temos 13 milhões de desempregados, 32 milhões de pessoas vivendo de bico e 63 milhões no SPC. Podemos mudar esse jogo", declarou. "Tenho pouco tempo de TV, mas muitas ideias para mudar o Brasil."

O programa do PSOL, do candidato Guilherme Boulos, criticou a emenda do teto dos gastos. "Vamos quebrar esse sistema", diz a locução do programa. Já o PSTU, da candidata Vera Lúcia, afirmou que "as eleições são uma farsa". João Amoêdo (Novo) afirmou que "se depender de mim, essa é a última eleição com propaganda eleitoral obrigatória". João Goulart Filho (PPL) prometeu "recuperar o desenvolvimento e o orgulho de ser brasileiro".

O candidato do Podemos, Álvaro Dias, em alusão à situação de Lula, disse que "tem gente viajando a Curitiba, minha cidade, para visitar a pessoa errada". "Fui a Curitiba para homenagear a instituição certa, a Polícia Federal. Abre o olho!, afirma Dias.

No espaço reservado para a Democracia Cristã, não houve participação direta do candidato José Maria Eymael. 

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