Em São Paulo, PSB e Rede podem apoiar nomes diferentes

Dirigente da legenda de Campos afirma que, se não houver consenso, grupos podem agir como se fossem 'dois partidos'

ISADORA PERON, O Estado de S.Paulo

12 de outubro de 2013 | 02h08

Presidente do PSB paulista e aliado do governador Geraldo Alckmin (PSDB), o deputado Márcio França defendeu ontem que, se não houver consenso com a Rede sobre qual caminho seguir na sucessão ao Palácio dos Bandeirantes, cada grupo atuará de fato como dois partidos distintos. Parte dos aliados da ex-ministra Marina Silva e a deputada Luiza Erundina (PSB-SP) preferem se distanciar dos tucanos e lançar nome próprio.

"A gente vai esperar que, com a convivência, se encontre o consenso. Se não houver consenso, as posições serão definidas como (se fôssemos) dois partidos", disse França. Assim, se a maioria do PSB paulista, controlado há mais de uma década pelo deputado, mantiver o apoio a Alckmin, o grupo de Marina estaria livre para apoiar um candidato de outra sigla.

Antes da união com a Rede, o PSB vinha negociando a adesão à chapa de Alckmin, com o objetivo de emplacar o próprio França como vice do tucano. Nesse cenário, o palanque do governador seria naturalmente dividido entre o mineiro Aécio Neves (PSDB) e o pernambucano Eduardo Campos (PSB), prováveis candidatos de seus respectivos partidos.

A adesão de Marina ao projeto nacional da sigla trouxe, em São Paulo, a discussão sobre a melhor tática a se adotar: manter a negociação com o PSDB ou lançar candidatura própria. Os aliados da ex-ministra preferem a segunda opção e já defendem para a disputa o nome do ex-tucano Walter Feldman, deputado que se filiou ao PSB no sábado passado.

"O Walter é uma pessoa hiperqualificada. Mas, no instante que todos nós estamos iniciando um longo processo, cada um aqui em São Paulo tem uma chance em 238 mil de ser qualquer coisa", afirmou França, em referência ao número de filiados da sigla no Estado.

O dirigente do PSB disse, no entanto, que esse é um debate que está apenas começando e que os dois lados podem mudar de ideia. "Não tem nenhum sentido nós fazermos uma definição (estadual) se a Marina e o próprio Eduardo fizeram tanto esforço para que não tenha uma definição (no âmbito nacional)", disse França. Na quinta-feira, os dois afirmaram juntos, em São Paulo, que o nome do candidato do PSB ao Palácio do Planalto só será definido em 2014.

Reunião. O tema da sucessão estadual não entrou em pauta ontem na primeira reunião do PSB e da Rede em São Paulo, que contou com cerca de 30 pessoas. Uma comissão com quatro representantes de cada grupo foi montada para organizar uma agenda de trabalho. Na semana que vem, o PSB pretende colocar o logo da Rede ao lado do seu na fachada da sede da sigla, na zona sul da cidade.

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