Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Em São Paulo, nanicos viram 'escada' em debate belicoso

Com chances cada vez maiores de eleição ser liquidada ainda no 1º turno, Skaf e Padilha partem para o ataque a Alckmin e usam até perguntas feitas por outros concorrentes para criticar governador

O Estado de S. Paulo

27 de setembro de 2014 | 00h34

O penúltimo debate da campanha ao governo de São Paulo, promovido nesta sexta-feira, 26, pela TV Record, retratou com fidelidade o cenário da disputa, a menos de dez dias da votação: segundo e terceiro colocados nas pesquisas, Paulo Skaf (PMDB) e Alexandre Padilha (PT) miraram as críticas ao governador Geraldo Alckmin (PSDB), favorito a ser reeleito em 1.º turno, mesmo quando o embate era com os nanicos. E o tucano usava os diálogos com os demais concorrentes para rebater o peemedebista e o petista e defender sua gestão.

À exceção da primeira pergunta entre candidatos, na qual Laércio Benko (PHS) questionou Skaf e os dois discutiram sobre “velha” e “nova política”, os ataques contra o tucano predominaram as falas dos dois principais adversários do governador. Na primeira oportunidade, o peemedebista questionou se Alckmin desconhecia a Constituição ao acusá-lo, na propaganda eleitoral, de querer cobrar taxas na rede de ensino, o que é vetado pela Carta Magna.


O tucano citou ações de famílias que têm alunos no Sesi, entidade presidida por Skaf, e destacou programas da atual gestão. Para Skaf, o tucano não respondeu. “Ele está enganando a população”, acusou o peemedebista. Na tréplica, Alckmin disse que o adversário defendeu pagamento nas universidades públicas. “É o candidato da taxa. A inflação foi de 6% e a taxa do Sesi subiu 12%.”

Na sequência do bloco, quando Gilberto Natalini (PV) questionou Padilha sobre políticas para combater a poluição do ar, o petista dedicou a maior parte do tempo para atacar o tucano. Primeiro, afirmou ser uma “rara oportunidade” debater com Alckmin. Depois, como Skaf, criticou a propaganda eleitoral tucana. “O senhor utilizou seu programa para fazer ataques pessoais que não são verdadeiros”, afirmou, rebatendo as críticas à sua gestão no Ministério da Saúde e apontando fechamento de leitos na rede estadual. “Venha debater frente a frente.”

O tucano rebateu as críticas de Padilha sobre a rede de saúde estadual quando foi questionado por Natalini sobre a crise hídrica, na segunda rodada de perguntas do bloco. “Padilha tenta se vitimizar, mas quem é vítima é o usuário do SUS, que (o ministério) deixou de investir R$ 12 bilhões.” O governador também contestou o adversário, que listou cidades da Grande São Paulo que teriam perdido leitos públicos nos hospitais, alegando que inaugurou novas unidades nesses locais.

Os outros. Em novo diálogo, dessa vez entre Padilha e Walter Ciglioni (PRTB), o petista afirmou que Alckmin “põe a culpa nos outros” em relação a problemas como a seca, a superlotação no transporte público e os índices de violência. Quando Benko questionou o candidato do PT sobre “mentiras” da campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff contra Marina Silva (PSB), apoiada pelo PHS, Padilha ignorou as críticas, rebateu as afirmações de Alckmin e aproveitou para defender a gestão de Fernando Haddad (PT) em relação ao fim da progressão continuada na rede municipal e a criação de faixas exclusivas para ônibus.

Na sequência, foi Skaf quem deu pouca atenção à pergunta de Ciglioni - novamente sobre as taxas do Sesi - e desferiu ataques a Alckmin e à sua propaganda eleitoral. “Ele tenta enganar a população quando fala que eu fecharia presídios. É preciso dobrar os presídios”, afirmou o peemedebista. “Vou fazer uma revolução na educação para daqui a 10, 15, 20 anos poder fechar presídio.”

No bloco de perguntas feitas pelos jornalistas da Record, Alckmin defendeu suas políticas de segurança pública, ao ser questionado sobre a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) nos presídios e nas ruas. O tucano citou o uso de bloqueadores de celular em unidades prisionais e índices de criminalidade. “Reduzimos em 70% os homicídios, 94 mil pessoas deixaram de morrer”, defendeu. No comentário, Skaf contestou os números e criticou o ritmo de instalação dos bloqueadores de celulares. “Ele prometeu em 2010 os mesmos seis bloqueadores que havia prometido em 2002.”

No terceiro bloco, Skaf voltou ao tema da segurança ao fazer uma pergunta para Padilha, mas não houve troca de farpas entre eles. Na sequência, Alckmin reclamou dos ataques paralelos dos adversários. / IURI PITTA, JOSÉ MARIA TOMAZELA, RICARDO CHAPOLA e VALMAR HUPSEL FILHO

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