Em São Bernardo, temperatura política sobe no dia da eleição

Advogado da coligação de Morandi apresenta pedido de investigação judicial contra coligação de Marinho

Roldão Arruda, de O Estado de S. Paulo,

26 de outubro de 2008 | 18h23

A temperatura política em São Bernardo do Campo voltou a subir neste domingo, 26, no dia da votação. Nas entrevistas coletivas que concederam após votarem, os dois candidatos, Luiz Marinho (PT) e Orlando Morandi (PSDB) fizeram acusações contra o adversário. Além disso, no meio da tarde, o advogado Arthur Rollo, da Coligação Melhor para São Bernardo, da qual o PSDB faz parte, apresentou na 174ª Zona Eleitoral pedido de investigação judicial contra a Coligação São Bernardo de Todos, de Marinho. No pedido, ele diz que a eleição foi marcada pelo abuso tanto do poder político quanto econômico. No sábado, já havia sido encaminhado à Justiça outro pedido, dessa vez para investigar o uso da máquina da Prefeitura na eleição, com o intuito de favorecer Morandi. Veja também:Em São Bernardo, candidato do PT vai a pé até local da votaçãoKassab chega ao dia da eleição 19 pontos à frente de MartaGabriel Manzano, de O Estado de S. Paulo, comenta o debate  Galeria de fotos  Especial: Perfil dos candidatos em São Paulo  'Eu prometo' traz as promessas dos candidatos Geografia do voto: Desempenho dos partidos nas cidades brasileiras Confira o resultado eleitoral nas capitais do País  Em entrevista coletiva concedida logo após votar, pouco antes do meio dia, Morandi declarou que "enfrentou uma campanha multimilionária" e uma verdadeira "fúria financeira" da parte do candidato petista. Também enfatizou que teve que enfrentar "a vontade pessoal do presidente da República", que se envolveu diretamente no esforço do PT para a eleição da Marinho. No pedido de investigação judicial apresentado na tarde deste domingo, o advogado Arthur Rollo argumenta que o presidente Lula abusou da sua condição de presidente da República para atrair a atenção da mídia para os comícios do candidato Luiz Marinho. "Um dos comícios chegou a aparecer no Fantástico, porque no meio do discurso o presidente fez referência a assuntos institucionais, de interesse do País", afirmou o advogado. Ele também disse que no dia da votação do primeiro turno, presidente pediu votos para Marinho após deixar o local da urna eleitoral. O abuso do poder econômico, segundo Rollo, está caracterizado numa promessa de campanha do PT. "Prometeram que seria realizada uma grande festa da vitória, com conjuntos de forró", explicou. "Não se pode prometer um show em troca de votos. É ilegal." No outro lado, na coligação de Marinho, o advogado Marcos Moreira, disse que não conhece o teor do pedido de investigação judicial. Mas salientou que as acusações não são novas: "Desde o início da campanha fazem acusações desse tipo. Quando a ministra Dilma Roussef esteve aqui foram à Justiça. Quando o Lula falou no primeiro turno, também foram. Ora, o governador José Serra veio fazer campanha pelo Morando e eles não falaram nada. Por que um pode e outro, não?" No sábado, Moreira havia apresentado à Justiça Eleitoral pedido de investigação contra o atual prefeito de São Bernardo, William Dib (PSB). O advogado acusa o prefeito de ter usado a máquina administrativa para favorecer Morandi: "Ele deu férias coletivas aos funcionários municipais comissionados, para que pudessem trabalhar na campanha. Como não havia recursos para o pagamento dessas férias, teve que fazer uma suplementação orçamentária." Luiz Marinho, por sua vez, reclamou da cobertura da campanha pelos órgãos de imprensa de São Bernardo. Em declarações feitas logo após votar, disse: "Fui muito perseguido por alguns jornais da região, pelos donos dos meios de comunicação, que tinham lado na eleição aqui da cidade." Marinho não quis dar entrevista coletiva após votar. Reuniu os jornalistas numa sala da escola e fez um pronunciamento formal, com agradecimentos a pessoas e instituições que o apoiaram. Depois autorizou apenas duas perguntas, respondeu, anunciou uma entrevista coletiva para a segunda-feira e saiu.

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