Em Salvador, PT luta pela hegemonia na Bahia e DEM, pela sobrevivência

Resultado pode ser decisivo para a sucessão do governador Jaques Wagner (PT)

Tiago Décimo - Agência Estado ,

26 de outubro de 2012 | 19h26

SALVADOR - Mais do que a Prefeitura de Salvador, a eleição de domingo, 28, disputada entre Nelson Pelegrino (PT) e ACM Neto (DEM), vai determinar o peso tanto de PT e aliados quanto de DEM e o restante da oposição na Bahia nos próximos anos. O quadro pode ser decisivo para a sucessão do governador Jaques Wagner (PT), que está no segundo mandato, e para a correlação de forças no Estado para a disputa presidencial.

O PT busca alcançar a "hegemonia" no Estado, como diz o governador petista Jaques Wagner. No primeiro turno, a legenda foi a que mais elegeu prefeitos na Bahia, um total de 92 nos 417 municípios - 26 a mais do que na eleição de 2008. Se contados os partidos da base do governo estadual, o número de prefeituras conquistadas chega a 332.

O índice é maior até do que o esperado pelas lideranças petistas no Estado antes do primeiro turno. O PT tinha a expectativa de vencer em entre 80 e 100 cidades, mas estimava em cerca de 300 as vitórias dos candidatos da base. "O governador Wagner saiu amplamente vitorioso, enquanto a oposição foi fortemente enfraquecida", avalia o ex-presidente da Petrobras e atual secretário de Planejamento da Bahia, José Sergio Gabrielli.

A vitória em Salvador, porém, é estratégica para a legenda. Isso porque, apesar de ter conquistado apenas oito prefeituras na Bahia no primeiro turno, o DEM venceu na maior cidade do interior baiano, Feira de Santana - onde o ex-prefeito José Ronaldo obteve 66% dos votos válidos, mesmo após o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ir à cidade pedir votos para o petista Zé Neto, que obteve 19% dos votos.

"A vitória em Feira de Santana foi emblemática por mostrar que boas administrações municipais independem de alinhamento com os governos estadual e federal", diz ACM Neto, em alusão ao principal da campanha de Pelegrino. "José Ronaldo foi um prefeito muito bem avaliado pela população, que reconheceu seu trabalho e o elegeu mais uma vez, com uma grande votação."

Para o DEM, a eleição em Salvador pode fazer com que a legenda administre as duas maiores cidades da Bahia, dando novo impulso ao partido e transformando o Estado em vitrine para a oposição tanto local quanto nacional. A derrota, porém, pode precipitar a saída de algumas lideranças da legenda para os parceiros PMDB - oposição ao governo na Bahia - e PSDB, ainda que a hipótese seja momentaneamente rejeitada pela direção do partido no Estado.

Conquista. Apesar de ser ofuscada pela disputa em Salvador, outra cidade baiana terá segundo turno no domingo. Vitória da Conquista, terceiro maior município do Estado, no sul baiano, também assiste a um embate entre o PT e a oposição - e tem posição estratégica no contexto estadual.

O segundo turno na cidade surpreendeu analistas políticos e contrariou as pesquisas eleitorais, que apontavam a reeleição do petista Guilherme Menezes no primeiro turno. Menezes, que obteve 49,12% dos votos válidos, enfrenta o radialista Herzem Gusmão (PMDB), que teve 40,24%.

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