Imagem João Bosco Rabello
Colunista
João Bosco Rabello
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Em ritmo de definições

Fora do tempo, a campanha presidencial em curso já ganhou dinâmica eleitoral cobrando aos seus principais atores a antecipação de definições que, em circunstâncias normais, ocorreriam no final do ano. No ritmo em que se desenvolve, não é exagero prever que o limite para alguns é o final desse primeiro semestre.

João Bosco Rabello, O Estado de S.Paulo

21 Abril 2013 | 02h04

São os casos,em primeiro lugar, do PSB e, com menos pressão, do PSDB, ambos alcançados pela estratégia do governo de antecipar o processo. Ao primeiro é cada vez mais difícil a confortável condição de candidato e aliado, que lhe proporciona um palanque sem custo. Ao segundo, urge a conquista da unidade interna.

A semana que passou produziu fatos ilustrativos dessa corrida da oposição contra o relógio para fazer frente à desenvoltura, “no limite da irresponsabilidade”, com que o governo atropela a legislação, transformando a agenda presidencial em roteiro de campanha eleitoral.

Aécio Neves aparentemente consolidou o acordo que lhe dará a presidência do PSDB na Convenção Nacional de 19 de maio, investindo-o de autoridade política para conduzir as alianças com vistas a 2014.

A fusão do PPS com o PMN, com o objetivo de apoiar Eduardo Campos, tanto solidifica sua candidatura, quanto apressa a ruptura com o governo, cobrada por uma base ávida por cargos e de olho nos do PSB.

Irritado com o apoio do PSB ao novo partido de Marina Silva, o PT intensificou na quarta-feira, a cobrança sobre Dilma: “Ficou claro que o PSB é oposição”, disse o líder do partido, José Guimarães (CE). “O governo deve ter consciência disso.”

Mais claro, impossível.

Operação tartaruga

A pressão por cargos faz o governo refém de partidos insatisfeitos com a composição ministerial. Com uma base obesa e voraz, o Planalto acompanha cenas de traição explícita. Na Comissão de Infraestrutura do Senado, o PTB retarda a indicação para diretor da Agência Nacional de Petróleo (ANP), retaliação do líder do partido, Gim Argello (DF), que não conseguiu reconduzir seu afilhado, Ivo Borges, para novo mandato na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A mesma para onde o ex-ministro dos Transportes, Paulo Passos aguarda a aprovação do PR, seu partido, que o apeou do cargo.

Nem relator

Na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), estão congeladas as indicações para agências reguladoras. Passados quase dois meses, não ganharam sequer relatores as indicações para diretor da Anvisa e da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). O presidente da comissão, Waldemir Moka (PMDB-MS), é tido como fiel a Eduardo Campos.

Fiado, não

O governo deve ceder aos governadores para chegar a um acordo em torno da alíquota única do ICMS. Para viabilizar a votação do projeto que unifica a alíquota no território nacional, o governo deixaria caducar a MP 599, que cria um fundo regional para compensar os Estados pelas perdas decorrentes da alíquota única. O fundo passaria a ser criado via projeto de lei complementar, do senador Paulo Bauer (PSDB-SC), e votado antes da alíquota, por desconfiança dos governadores.

Ofensiva

A presidente Dilma Rousseff tem agenda no Rio Grande do Norte dia 29, em continuidade à ofensiva no Nordeste contra Eduardo Campos. apoiado pela ex-governadora Wilma de Faria. Dilma costura a candidatura do ministro da Previdência, Garibaldi Alves, que resiste à missão. Ao PT, caberia a vaga ao Senado.

Mais conteúdo sobre:
João Bosco Rabello

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.