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Em Rio Preto, cai em 70% o número de adolescentes que tiraram título de eleitor

Foram 1.754 rio-pretenses com idades de 16 anos e 17 anos na última eleição municipal, em 2016; agora, em 2020, são apenas 547; desinteresse e pandemia explicariam alta

Daniele Jammal, São José do Rio Preto

04 de novembro de 2020 | 16h01

SÃO JOSÉ DO RIO PRETO – Estudante do ensino médio, Liam Martingo Rodrigues, de 17 anos, é um dos jovens na faixa etária de 16 anos a 18 anos que tiraram o título de eleitor e vão votar nesta eleição. “Todo voto é importante. Na minha casa, política é um assunto bastante discutido e decidi votar para ajudar a melhorar a sociedade”, afirma. No entanto, neste ano, o número de adolescentes como ele que tiraram título de eleitor para participar do pleito é cerca de 70% menor do que na eleição passada, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em 2020, 547 rio-pretenses nessa faixa etária tiraram título para votar, sendo 59 (0,02% do total do eleitorado) com 16 anos e 488 (0,15%) com 17 anos, contra 1.754 em 2016. Eram 477 com 16 anos e 1.277, com 17, o que correspondia a 0,15% e 0,44%, respectivamente, do total do eleitorado. De acordo com informações da prefeitura, há na cidade 27,2 mil pessoas na faixa etária dos 15 aos 19 anos, dos quais estima-se que em torno de 25 mil tenham 16 e 17 anos. Ao todo, estão aptos a votar 332.540 eleitores em todo o município. Em 2016, Rio Preto tinha 318.478 eleitores  e 28.462 habitantes com idades entre 15 e 19 anos, com estimativa de 26 mil pessoas com 16 e 17 anos.

O cientista político Araré Carvalho aponta fatores que explicariam o distanciamento dos jovens. “Em primeiro lugar, a percepção de que a política não é um espaço importante (para eles). Há certa desilusão com os meios democráticos e faltam lideranças que falem a linguagem dos mais novos”, diz Carvalho. Ele defende, ainda, que a diferença geracional entre políticos e eleitores acaba afetando a comunicação e o interesse. “Por último, a política ainda vive um processo de demonização, como algo sujo e que não leva a lugar algum”, afirma.

Professora e pós-graduada em psicopedagogia, Rita Amália da Silva acredita que, não apenas o descrédito, mas principalmente a pandemia do coronavírus irá afastar os alunos das urnas. “Muitos alunos meus deram essa justificativa para não tirar o título”, conta. No entanto, não foi a covid-19 nem o descrédito na política que levou a estudante Mariana de Lima Marques, de 17 anos, a decidir não votar neste ano. “Não me senti preparada para tomar essa decisão, que considero importante”, afirma.

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