Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Em referência indireta a Marina, Lula critica 'apologia à não política'

Ex-presidente desdenha de discurso adotado pela adversária da presidente Dilma Rousseff

Elizabeth Lopes e Valmar Hupsel Filho, O Estado de S. Paulo

28 de agosto de 2014 | 21h18

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira, 28, que os eleitores não devem acreditar "em quem faz apologia da não política". Sem citar o nome de Marina Silva, candidata do PSB à Presidência e ex-ministra do Meio Ambiente em seu governo, Lula criticou o discurso adotado pela adversária da presidente Dilma Rousseff, que está a 5 pontos porcentuais da candidata à reeleição na disputa do primeiro turno, segundo pesquisa Ibope divulgada na terça-feira, 26.

"Não acredite em quem faz apologia da não política", afirmou Lula, em um carro de som em São José dos Campos, no Vale do Paraíba, em ato de campanha do candidato do PT ao governo paulista, Alexandre Padilha. "É impossível governar fora da política, pois quem for eleito presidente da República tem que conversar com o Congresso Nacional. Não está na hora de negar a política", disse ele, sem citar o nome de sua ex-ministra do Meio Ambiente uma única vez.

A candidata que foi alçada à cabeça de chapa do PSB após a morte do governador Eduardo Campos vem ganhando a adesão do eleitorado pelo discurso de que pretende romper com o que classifica de "velha política". Além disso, Marina foi uma da poucas figuras políticas que se beneficiaram dos movimentos de rua deflagrados em todo o País do ano passado, pelo fato de ter conseguido passar uma imagem de que não compactua com a atual política.

As críticas indiretas de Lula à sua antiga aliada foram feitas em um momento em que o PT e assessores de Dilma reagiram a um vídeo montado, divulgado na internet, em que Lula supostamente pede votos a candidata para Marina. No palanque ao lado de Padilha, Lula fez questão de pedir votos à candidata à reeleição Dilma Rousseff.

No início de seu discurso de cerca de 20 minutos, Lula criticou duramente o governo do tucano Geraldo Alckmin, dizendo que pretende fazer com que os tucanos nunca mais governem o Estado. E exemplificou com a crise hídrica. "Nós não culpamos o governo pela seca e sim pela falta de planejamento do governo", afirmou. Em mais uma critica à imprensa, Lula disse que se fosse o PT que governasse São Paulo, a crise da água teria outro tratamento.

Segundo o ex-presidente, a "bandalheira" e a "corrupção no Metrô" são tratadas pela imprensa como cartel.

Ainda no discurso, Lula questionou as pesquisas de intenção de voto, onde Alckmin lidera a corrida ao governo do Estado, segundo o Ibope. "Não sei por que o povo reclama tanto e o Alckmin tem 50% nas pesquisas."

Este é o primeiro ato político em que Lula participa ao lado de Padilha após a divulgação das pesquisas de intenção de votos feitas depois do início do horário eleitoral, que apontam estagnação do candidato petista em 5%. Foi a primeira vez também que Lula esteve ao lado de seu afilhado político em um reduto eleitoral dos adversários, no Vale Paraíba, em São José dos Campos, governada há 16 anos pelo PSDB e há um ano e meio sob a gestão do PT.

Lula chegou acompanhado de Padilha e do presidente estadual do PT Emídio de Souza. Ele foi recebido com euforia pelos militantes mas um grupo de pessoas que estava próximo a ele foi atingido por um ovo. Alguns funcionários comissionados da prefeitura foram dispensados e orientados a participar do ato.

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