Em quem você votou

Distribuição das 64.625 pessoas nos cargos políticos do país mostra como o poder está fragmentado

Daniel Bramatti, O Estado de S. Paulo

15 de setembro de 2014 | 05h00

 Em 2010, 17.862 candidatos se submeteram ao crivo das urnas. Destes, 1.657 conquistaram um mandato eletivo - desde Jane José da Silva (PSL), eleita deputada estadual por Roraima com apenas 1.666 votos, até Dilma Rousseff (PT), que venceu sua primeira disputa pela Presidência com o aval de 55.752.529 brasileiros.

Dois anos depois, mais 871.112 pessoas disputaram 62.969 cargos de prefeito e vereador. Somadas as duas eleições, é como se o equivalente a toda a população de Maceió disputasse a atenção e o voto dos cidadãos. O resultado desse campeonato é uma grande fragmentação: nada menos que 27 partidos elegeram vereadores e prefeitos, em 2012. Na Câmara dos Deputados, 22 legendas conquistaram cadeiras há quatro anos. Nos dois últimos ciclos eleitorais, nenhum partido venceu mais de 22% dos cargos em disputa.

Rede. O quadro abaixo é um retrato da divisão dos cargos eletivos por partido em todas as instâncias de poder, dos municípios ao Palácio do Planalto.

O PMDB, principal aliado do PT na base de sustentação do governo Dilma, é o que tem a maior capilaridade: elegeu os ocupantes de 14% dos 64.625 cargos eletivos existentes no País - excluídos os de vice-prefeito, vice-governador, vice-presidente e suplente de senador. Em segundo lugar no ranking está o PSDB, com 10%, seguido de perto pelo PT (9%) e pelo PP (9%). O recém-criado PSD, que estreou nas urnas em 2012, já é o quinto na relação de cargos ocupados, com 8% do total.

Como há quatro anos, os brasileiros vão eleger em 2014 deputados estaduais e federais, senadores, governadores e presidente. No total, 26.143 integrantes de 32 partidos se apresentaram à Justiça Eleitoral para disputar o voto dos quase 142 milhões de eleitores. Nada indica que a fragmentação possa diminuir significativamente. 

Voto majoritário. É o voto que se aplica às eleições para cargos do Poder Executivo - presidente da República, governador e prefeito. Chama-se “majoritário” porque, nesse caso, vence a eleição o candidato que tiver, individualmente, o maior número de votos. Para que esses governadores, prefeitos e o presidente sejam eleitos, precisam conquistar a metade mais um dos votos válidos (descontados os brancos e nulos). Caso isso não ocorra, a Justiça Eleitoral determina novas eleições - em segundo turno - entre os dois candidatos com maior número de votos.

Voto proporcional. Este voto entra em uma contabilidade mais ampla, na qual a quantidade total de votos do eleitorado é cruzada com a quantidade de cargos disponíveis, em cada âmbito, sempre dentro do Poder Legislativo. Ele é dado a candidatos a deputado estadual nas assembleias legislativas, a deputado federal no Congresso e a vereadores nas câmaras municipais. O partido com o total maior de votos fica com mais cargos - o que permite, muitas vezes, que um candidato se eleja com menos votos que outro. Os partidos que não atingem o coeficiente partidário mínimo não têm direito a nenhuma vaga. 

 

Tudo o que sabemos sobre:
desafios representatividadeEleições

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.