EFE/Fernando Bizerra Jr.
EFE/Fernando Bizerra Jr.

Em primeiro evento de campanha, Haddad evita falar sobre papel de Lula em eventual governo

'Tivemos muito cuidado com isso em função das circunstâncias. Fizemos um programa muito pormenorizado para que a sociedade saiba o que faremos a partir de 1º de janeiro', diz candidato do PT

Marcelo Osakabe, O Estado de S.Paulo

12 Setembro 2018 | 18h36

Em seu primeiro compromisso de campanha desde que foi oficializado como candidato à Presidência do PT, o ex-prefeito Fernando Haddad desconversou sobre qual será o papel do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual governo petista.

"Tivemos muito cuidado com isso em função das circunstâncias. Fizemos um programa muito pormenorizado para que a sociedade saiba o que faremos a partir de 1º de janeiro: reforma tributária para reduzir a carga sobre os mais pobres, reforma bancária para reduzir os juros, retomada de obras públicas", elencou, entre outros pontos. "Então, quem quiser saber como será o próximo governo do PT, a nossa cartilha a partir de janeiro foi assinada por Lula e por mim", disse.

Haddad participa, com a vice Manuela D'Ávila (PCdoB), de um encontro com estudantes e cotistas do programa Universidade para Todos em um teatro no centro da capital paulista. Também participam Eduardo Suplicy e Jilmar Tatto, candidatos ao Senado por São Paulo, Ana Bock, candidata à vice na chapa de Luiz Marinho ao governo do Estado, e Ana Estela, esposa de Haddad.

Com a oficialização de sua candidatura, o ex-prefeito da capital também passou a ser alvo de ataques de outros candidatos, como Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB). O petista, no entanto, não quis comentar. "Nós temos um programa de governo, não vamos ficar batendo ou alisando ninguém. Faz 18 anos que sou vidraça. Todo mundo já me acompanhou em eleição, sempre fiz propostas para governar", disse.

Segundo o último Ibope, o petista tem 8% das intenções de voto, embolado no segundo lugar com Ciro, Marina Silva (Rede) e Alckmin. O levantamento mostrou também que a capacidade de transferência de votos de Lula para seu nome se estabilizou nos últimos dois levantamentos.

Questionado sobre qual a estratégia do partido para que os votos do ex-presidente permaneçam com ele, Haddad desconversou. "Surpresa", disse.

Candidato quer federalizar escolas com índice ruim

No debate sobre educação, Haddad disse que uma das propostas do PT será fazer escolas federais do ensino médio - que tem melhores notas nos indicadores de aprendizado - "adotarem" uma ou mais escolas das redes estaduais para ajudá-las a melhorar seus respectivos índices.

"Todas as escolas federais de ensino médio vão ter que estabelecer um protocolo de cooperação com as escolas estaduais que estão com desempenho insatisfatório, para oferecer aos estudantes o que temos de melhor", declarou. Segundo Haddad, o ensino médio é a etapa da educação que evoluiu menos entre os demais níveis.

Petista propõe combate federal ao crime organizado

Haddad declarou também que uma das propostas do partido na área de Segurança Pública é federalizar o combate ao crime organizado, que passaria a ser responsabilidade da Polícia Federal.

"Entendemos que se a PF tiver um departamento que cuide do combate aos crimes relativos a organizações criminosas, vamos ter alguns efeitos importantes. O primeiro é liberar as polícias Militar e Civil para cuidar da vida do cidadão, combater homicídio, feminicídio, tudo que agride o cidadão", explicou o petista, que participou hoje do primeiro ato de campanha desde que dpi oficializado como cabeça da chapa do PT, em substituição ao ex-presidente Lula.

Outro efeito da mudança seria o de promover o "desencarceiramento" de pessoas que cometem pequenos delitos, hoje o maior contingente nas cadeias de todo o Brasil.

"Se nós não desencarceramos a partir dessa nova visão, não vamos conseguir resolver a crise do sistema prisional. Estamos prendendo muito e mal", disse o petista. 

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