Andre Penner/AP Photo
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Haddad fala em três semanas para ganhar a eleição e pede calma

Petista faz ato de campanha na região região metropolitana de São Paulo, região com forte apoio do PT

Mateus Fagundes, O Estado de S.Paulo

13 Setembro 2018 | 10h52

CARAPICUÍBA - O candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, disse nesta quinta-feira, 13, que os próximos dias serão determinantes para a campanha, mas que é necessário a militância ter "calma". "Eles vão ficar nervosos nos próximos dias e a gente tem de ficar calmo. Temos de ter muita calma nos próximos 20 dias e dar a resposta que o Brasil quer", afirmou. "Nós temos três semanas para virar e ganhar a eleição."

Haddad participou na manhã desta quinta de ato de campanha nas cidades de Carapicuíba e Osasco, na região metropolitana de São Paulo. Este é o primeiro ato de Haddad na região metropolitana de São Paulo (RMSP) desde a oficialização do nome dele como substituto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso pela Operação Lava Jato.

Ele repetiu o mantra "Lula é Haddad" e disse que o ex-presidente "nos escolheu a todos, a mim e a Manu (Manuela d'Ávila, candidata a vice), para representar o projeto dele". De cima do carro de som em um caminhão, Manuela d'Ávila falou à militância que é preciso convencer os eleitores a não entregar o Brasil "a quem tem o ódio como arma política". "Nós somos o time de Lula", frisou.

Ainda como candidato a vice, Haddad fez campanha com sindicalistas em São Bernardo do Campo, berço político de Lula. O entorno da capital paulista, conhecido como "Cinturão Vermelho" por tradicionalmente votar no PT, também tem sido cobiçado pelo candidato Ciro Gomes (PDT).

O pedetista, que disputa espaço na esquerda com Haddad, intensificou a presença na região, tendo feito atos públicos em Guarulhos, Osasco, Mauá e Taboão da Serra ao lado de ex-petistas. No calçadão de Carapicuíba, no centro comercial da cidade, o locutor de um pequeno carro de som chama os apoiadores e pedem para eles balançarem as bandeiras. Ele também disse que espera o "agora finalmente candidato Haddad". "Nossos corações estão soltos e vamos pedir votos até dia 7", disse ele.

Enquanto esperam a chegada de Haddad, prevista para depois das 10h, apoiadores de candidatos a deputado federal e estadual do PT e do PCdoB se aglomeram no calçadão de Carapicuíba. 

Política de preços na Petrobras

Haddad afirmou que a política de preços de combustíveis será a mesma do governo Lula. "A nossa política de preços de preços vai ser a mesma da época em que a Petrobras mais teve lucro, que foi no governo Lula. A Petrobras tem de ter o lucro respeitado, ela tem acionistas. Mas por ser um monopólio ela também atende o interesse nacional", afirmou.

Haddad também citou a proposta de usar 10% das reservas internacionais para programas de infraestrutura. De acordo com o candidato, o dinheiro será emprestado a empresas de energia para desenvolver projetos.

Haddad evita criticar Ciro

O candidato do PT evitou responder a ataques do concorrente Ciro Gomes (PDT), que na quarta comparou o petista à ex-presidente Dilma Rousseff. "Este tipo de ataque pessoal não vamos fazer", disse. "Nossa estratégia até o final da campanha é só comparar proposta. Se você me apresentar uma proposta dele (do Ciro) para comentar, eu comento."

Em sabatina do jornal O Globo, Ciro disse que o Brasil não aguenta outra Dilma. A linha adotada pelo pedetista é de questionar a competência administrativa de Haddad, e não diretamente a pessoa dele, de quem é próximo.

Justiça 

Haddad também comentou a abertura de reclamação disciplinar do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) contra promotores de São Paulo que ofereceram, na semana passada, denúncias contra ele e o ex-governador paulista, Geraldo Alckmin, candidato do PSDB. "Isto depura o MP. Promotor não pode fazer política", disse.

O petista também disse que, em um eventual governo, vai fortalecer o Ministério Público, que, para ele, "precisa ser apartidário para ser forte". 

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