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Em plena campanha

Comando

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2013 | 02h07

estratégico

O Planalto pediu ao PT que, na partilha das comissões da Câmara, garanta a de Relações Exteriores e Defesa Nacional. Quer um petista no comando da comissão, que conduzirá debates polêmicos com a oposição em questões a serem decididas até o fim do ano. O governo quer fechar, ainda em 2013, a compra dos 36 caças da Força Aérea Brasileira (FAB), no valor de US$ 4 bilhões, e do satélite geoestacionário, que vai custar R$ 716 milhões. O PT indicou para a vaga o deputado Nelson Pellegrino (BA), derrotado na eleição para a prefeitura de Salvador.

Veto ao ex

A Executiva Nacional do PDT poderá receber para avaliação proposta de veto ao pedido de refiliação de Carlos Araújo, ex-marido da presidente Dilma Rousseff, com base em dispositivo do estatuto que condena militantes desertores. Pelo menos essa é a sugestão, em carta aberta, distribuída pelo ex-presidente da legenda, Vieira da Cunha, aliado do atual presidente Carlos Lupi, que acusa Araújo de abandonar o partido momentos mais difíceis.

Sob nova direção

Uma eventual retomada do Ministério dos Transportes pelo PR na reforma ministerial já aflige menos o Planalto. A tranquilidade se deve ao fato de as funções da Valec e do Dnit, focos de corrupção na faxina de 2011, terem sido esvaziadas com a criação da Empresa de Planejamento Logístico (EPL), sob o comando de Bernardo Figueiredo, técnico com bom conceito no setor e homem de confiança de Dilma Rousseff.

Alíquota variável

O governo deve incluir na proposta do novo Código de Mineração uma alíquota variável sobre as commodities de exportação, como o minério de ferro. A reivindicação dos governadores é pela alíquota que acompanhe a oscilação do preço do minério no mercado internacional. Após conversa com governadores, a Casa Civil envia o texto para a presidente Dilma Rousseff e, então, ao Congresso.

Ao centrar no combate à inflação o seu mais recente pronunciamento em rede nacional de televisão, a presidente Dilma Rousseff identificou publicamente aquele que, intramuros, é tratado no governo como o único fator capaz de ameaçar seu favoritismo na disputa presidencial de 2014.

Ao tempo em que anunciou a desoneração da cesta básica, a presidente dividiu a responsabilidade pelo êxito das medidas de controle da economia com os empresários, ao estabelecer como contrapartida devida a redução em 9,25%, "no mínimo", dos preços de alimentos.

O modelo televisivo de governança, iniciado em janeiro com o anúncio da redução da tarifa de energia, prevalecerá daqui em diante como estratégia de campanha à reeleição, inalcançável pela legislação eleitoral por se tratar formalmente de publicidade de atos de governo. Enquanto houver estoque de notícias boas, elas irão ao ar.

A próxima será, provavelmente, a desoneração de folhas salariais, com repercussão na preservação de empregos.

Mesmo os oposicionistas avaliam que um crescimento em 2013 de 3%, ou pouco abaixo disso, será suficiente para preservar os índices de aprovação da presidente para a disputa eleitoral do ano seguinte, revertendo a imagem produzida pelo "pibinho" de esgotamento do ciclo virtuoso da economia.

Se é menos do que o País precisa, atende ao governo no campo eleitoral, por evitar que o mau resultado econômico alcance o bolso da população a tempo de influir na campanha. Depois, é problema para um segundo mandato, raciocinam os estrategistas do Planalto.

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