AFP PHOTO / DOUGLAS MAGNO
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Em Pernambuco, pré-candidatos evitam comentar os atos dos caminhoneiros

Para especialista, estratégia adotada foi a 'mais fácil' diante de um tema 'novo' entre os eleitores

Kleber Nunes, O Estado de S.Paulo

05 Junho 2018 | 05h00

RECIFE - Os principais pré-candidatos ao governo de Pernambuco se esquivaram de se posicionar sobre a greve dos caminhoneiros, que causou reflexos nas estradas de todo o País. As principais críticas às medidas adotadas pelo governo federal, seja para debelar a crise ou para a formulação de preços de combustíveis, partiram dos chamados “nanicos”.

Pré-candidato à reeleição, o governador Paulo Câmara (PSB) evitou compromissos públicos durante os dias de paralisação. No auge da crise, montou um gabinete de crise integrando diversos órgãos da gestão, e declarações apenas sobre as intervenções do grupo para mitigar os impactos provocados pela mobilização. Procurada, a assessoria de imprensa do governo não respondeu ao pedido de entrevista com o governador.

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O senador Armando Monteiro (PTB), pré-candidato que deve rivalizar com Câmara na disputa pelo governo, usou o Twitter para criticar a política de preços da Petrobrás e atacou o governo Temer, acusando-o de “imprevidente”. “Acho que os caminhoneiros foram conduzidos a uma situação insustentável. No entanto, os excessos com episódios de violência e bloqueios que prejudicaram o direito de ir e vir da população não podem ser tolerados”, disse ele ao Estado. “As minhas manifestações buscaram contribuir com o que para era essencial e está na raiz da situação que causou a greve e seus transtornos: a política de preço exercida pela Petrobrás e a estrutura tributária vigente.”

Pré-candidato pelo PRP, coronel Luiz Meira disse ao Estado que “apoia totalmente as reivindicações dos caminhoneiros”, mas evitou se manifestar nas redes sobre o assunto. “Estou respeitando o momento. A gente não pode colocar (a opinião) e sair atirando para todo lado, vai parecer que é oportunismo e eu nunca fui oportunista”, disse.

“Viajei nesse período da greve para o sertão, conversei com muitos caminhoneiros nos pontos de bloqueio e declarei meu apoio. Foi uma paralisação legítima por isso eu defendo, mesmo sabendo que teve infiltração de pessoas do PT”, afirmou.

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A pré-candidata ao governo pernambucano pelo PSOL, Danielle Portela, criticou medidas do governo federal para afirmar que há um “golpe em curso no Brasil”. “Vamos levar para o debate público nossa posição contrária a tudo que se desdobrou com essa crise como a tentativa de entregar a Petrobrás ao capital internacional, ampliar o Estado de exceção instalado no Rio de Janeiro para o Brasil e a necessidade de inverter o modelo de tributação que penaliza os mais pobres”, afirmou.

Para a professora Nara Pavão, do departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), os pré-candidatos buscaram a estratégia mais fácil e eficiente ao se posicionarem sobre a paralisação. “Esse foi um assunto novo que entrou na pauta, além de ser polêmico foi muito confuso para a opinião pública. Então, juntando essa complexidade do assunto com a pouca visibilidade neste período de pré-campanha faz sentido a opção deles em não se posicionarem publicamente. É clara a estratégia barata”, disse.

A cientista política Priscila Lapa, professora da Faculdade de Ciências Humanas de Olinda (PE), avalia que a crise dos combustíveis despertou a população para as eleições deste ano e aumentou no eleitor a importância da confiança em quem vai dar o voto. “Nessa mobilização dos caminhoneiros as pessoas começaram a enxergar melhor que os governos não tiveram capacidade suficiente para resolver de maneira rápida os problemas causados pela paralisação. Por isso, além das cobranças de costume como combate à corrupção, o cidadão começa a avaliar quais candidatos merecem o voto de confiança e têm condições de superar momentos como esse de crise”, disse.

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