Em Perdizes, disputa presidencial cria uma 'PUC de nervos'

Universitários deixam preferência partidária explícita e promovem atos por Dilma e Aécio na reta final da campanha

LUIZ GUILHERME GERBELLI, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2014 | 02h03

São Paulo - Como o Brasil, a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) rachou. Neste 2.º turno, o câmpus em Perdizes, zona oeste de São Paulo, de uma das principais universidades do País retrata com riqueza de detalhes a divisão entre apoiadores do PT e do PSDB que marca a atual eleição presidencial, a mais polarizada desde a redemocratização do País.

Nessa quinta-feira, 23, num ato em favor do candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, a PUC parecia mais tucana do que petista. Os jingles pró-PSDB tocavam incessantemente e bandeiras com a cara do candidato do partido eram chacoalhadas na entrada da universidade. Houve farta distribuição de adesivos.

Por volta das 19h45, num ato na Rua Ministro Godói, os apoiadores começaram a discursar em favor do candidato do PSDB em cima de uma picape improvisada como palanque. "Eu sou Aécio", diziam os estudantes e apoiadores. "Ei, petistas, coxinha é uma delícia!" gritavam os participantes. Coxinha é um termo associado para classificar a elite do País, e consequentemente, usado pelos petistas para atacar os tucanos.

Se nessa quinta a PUC foi dominada por tucanos, nesta semana ela também foi mais vermelha do que azul. Na segunda-feira, o Teatro da Universidade Católica de São Paulo (Tuca) reuniu intelectuais para apoiar a candidata à reeleição do PT, Dilma Rousseff. No fim do encontro, que contou com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a petista foi a uma das janelas do teatro, na esquina das Ruas Monte Alegre e Bartira, e saudou os apoiadores que lotaram o cruzamento.

"Com a manifestação da presidente, as pessoas (do lado de fora) ficaram ensandecidas", afirma Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do setorial jurídico do PT e um dos organizadores do encontro.

No dia seguinte, houve a manifestação mais tensa em favor de Dilma. Um ato marcado batizado de "Intelectuais e Puquian@s com Dilma" realizado dentro da universidade acabou em confusão. Houve empurra-empurra entre os apoiadores dos dois candidatos. Os dois lados trocam acusação sobre quem começou a confusão.

Procurada, a universidade informou que repudia qualquer ato de violência, lamentou o ocorrido e disse que está "apurando os fatos para tomarmos as providências necessárias". Mas informou considerar que "o debate de ideias traz benefícios para a formação do estudante".

Luta de classes. A divisão da PUC-SP se reflete até do ponto de vista arquitetônico, uma peculiar luta de classes que mobiliza a universidade. Nada traduz melhor essa separação que a Curva do Rio, o encontro das duas travessas internas de circulação do público onde é raro ver alguém sem um adesivo que revele a preferência partidária.

Uma dessas travessas separa os dois edifícios da universidade. De um lado, o Prédio Velho, símbolo da tradição da PUC em áreas humanas e no serviço social. Do outro, o Prédio Novo, abrigo da excelência das Faculdades de Direito e de Economia e Administração (FEA).

No Prédio Velho, os adesivos da campanha de Dilma se espalham por murais e portas. "O PSDB faz muito presídio e pouca política social", afirmou Guilherme Garre, estudante de psicologia e apoiador da Dilma. "Houve avanço no social (nesse governo)." Ontem, fez questão de andar com o adesivo de Dilma colado no peito. "É para saber que o outro lado está aqui."

No Prédio Novo, o apoio a Aécio também se mostra nos adesivos colados no peito dos estudantes. "Ele vai dar mais segurança para o investidor e evitar a fuga de capital", afirma Tamires de Oliveira, estudante de ciências contábeis.

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