Em Natal, Micarla de Sousa (PV) derrota candidata de Lula

Com apoio de José Agripino Maia, do DEM, candidata vence disputa na capital do Rio Grande do Norte

Everton Dantas, de O Estado de S. Paulo,

05 de outubro de 2008 | 20h30

Em Natal (RN), com 100% dos votos apurados, está descartada a possibilidade de segundo turno. Com 193.195 mil votos (50,84%), a deputada Micarla de Sousa (PV) se confirmou como nova prefeita da capital, sucedendo o atual, Carlos Eduardo Nunes Alves (PSB).   Veja também: Galeria de fotos das eleições no Brasil  Cobertura completa das eleições 2008  Eu prometo: Veja as promessas de campanha dos candidatos Tire suas dúvidas sobre as eleições    Ela já falou à imprensa e comemorou o fato de ter vencido a candidata do PT, Fátima Bezerra, que tinha apoios considerados muito fortes. "Vamos devolver a prefeitura ao povo", declarou. "Eu não tenho nenhuma dúvida de que esse é um divisor de águas na política do nosso Estado", afirmou. A candidata do PT recebeu 139.946 votos (36,83%). O terceiro colocado foi o deputado estadual Wober Júnior (PPS), com 24.239 (6,38%).   A petista derrotada concedeu entrevista em sua casa, acompanhada de Wilma de Faria, Garibaldi Filho, Carlos Eduardo e Henrique Eduardo Alves. Ela disse que aceitava com humildade o resultado e que continuaria trabalhando por Natal como deputada em Brasília. "A vida continua", disse.   A disputa entre as candidatas concentrava-se na realidade entre ter ou não segundo turno. Micarla de Sousa liderou toda a disputa, mantendo-se pouco acima do percentual necessário para encerrar a eleição no primeiro turno. Enquanto a torcida dos correligionários de Fátima Bezerra era pela consolidação do segundo.   Durante a campanha, Micarla de Sousa contou com o apoio do senador José Agripino Maia (DEM), considerado um dos maiores opositores do presidente Lula. Já Fátima Bezerra, além do presidente Lula, contou com o apoio da governadora do estado, Wilma de Faria (PSB), do presidente do Congresso Nacional, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB), e do prefeito de Natal. Apesar da popularidade do presidente e das outras lideranças, isso não foi suficiente para assegurar a vitória.   A candidata do PV é a mais velha das três filhas do ex-senador Carlos Alberto de Sousa, que morreu há dez anos. Dos negócios deixados pelo pai, Micarla herdou uma emissora de TV, controladora do SBT. Tão logo assumiu a presidência da empresa, estudou jornalismo e adquiriu visibilidade como apresentadora em sua própria televisão.   Foi o salto para virar celebridade local e um trampolim para ingressar na política. Em 2004, foi vice na chapa vitoriosa do atual prefeito, Carlos Eduardo Alves (PSB). Dois anos depois, os dois brigaram e ela obteve a maior votação para deputada estadual pelo PV na capital. Agora, aos 38 anos, usa a popularidade como principal munição na campanha.   Tendência para 2010   A vitória na capital potiguar, que conta com quase 500 mil eleitores, virou questão de honra para o presidente Lula. Natal foi a primeira e única a receber o presidente para um comício fora do circuito paulista.   Na época do comício, Lula deu o tom ideológico da campanha, projetando-a para o jogo eleitoral de 2010: quem está aliado à oposição será inimigo daqui a dois anos e, portanto, não terá seu apoio. No comício, Lula lançou um desafio a Micarla e fez duros ataques ao aliado da candidata verde, o líder do DEM, senador José Agripino (RN). A seu lado no palanque, a governadora Wilma de Faria (PSB) e Garibaldi Alves festejaram. Candidatos fortes, ambos querem derrotar Agripino para o Senado em 2010. Para o governo estadual, o favorito de Wilma é Iberê Ferreira, seu vice-governador. Mas alguns aliados não afastam a hipótese de Henrique Alves entrar no páreo.   Ao eleger a candidata do PV como inimiga, o presidente ensaiou, no palanque, o desejo de reproduzir a aliança PMDB, PT e PSB - seus três maiores parceiros no Congresso - na eleição presidencial. Sinais que, inclusive, têm suscitado conversas internas no PMDB e no PSB em torno da indicação do vice-presidente em uma eventual chapa encabeçada pela ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil.   Tanto o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), quanto o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), enfatizam que a aliança em sua terra serve, sim, como exemplo e embrião para acordos do mesmo naipe em outros Estados.   Além de Natal, que tem um orçamento de R$ 1 bilhão, PMDB e PT estão coligados em Goiânia, Vitória, Fortaleza e Teresina na eleição municipal.   Mossoró   Na segunda maior cidade do Rio Grande do Norte, Mossoró, um fato inusitado ocorreu durante a apuração. A atual prefeita da cidade, Fafá Rosado (DEM), teve todos os seus votos computados como nulos. Isso ocorreu porque ela teve o registro cassado em primeira instância, mas conseguiu reverter essa decisão em julgamento no Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte.   O presidente do tribunal, desembargador Expedito Fernandes, explicou que esse problema será solucionado por meio de reversão dos votos para Fafá; o que indicará quantas pessoas preferem que ela continue a governar a cidade do que eleger um novo prefeito. Ao todo, o TER-RN registrou em todo o Estado 81 ocorrências, mas nenhuma muito grave. A maior parte desses problemas foi com boca-de-urna e propaganda irregular.   Boca-de-urna   Em Natal, especificamente, houve dois caos de boca-de-urna, dois casos de propaganda irregular. Desses, um dos casos de propaganda resultou em prisão. Para um Estado que teve presença de tropas federais em 106 dos seus 167 municípios, a eleição está sendo considerada bastante tranqüila.   Vereador   Na cidade de Natal, o vereador mais votado foi Paulo Wagner, do PV, com 14.444 votos, ou 3,73% do total. Raniere, do PRB, aparece em segundo (2,46%), seguido de Adão Eridan (2,44%), do PR.

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