Em missa-comício na zona sul, Russomanno chora e pede votos

Padre de paróquia no Grajaú é parente de coordenador do PTB; convidado a fazer homilia, candidato se emocionou

O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2012 | 03h08

Chamado de "nosso irmão" pelo padre Nelson Silvino, o candidato do PRB à Prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno, foi o principal personagem da missa de ontem na Paróquia São Bernardo, no Grajaú, zona sul da capital. Em dois momentos do culto religioso, Russomanno subiu ao palco para pedir votos e cantar Romaria, acompanhado de seu candidato a vice, Luiz Flávio Borges D'Urso (PTB), e do presidente estadual do PTB, Campos Machado.

O irmão de padre Nelson, Celso Silvino, é coordenador político do PTB e também fez uso do microfone para pedir votos para Russomanno e solicitar que os cerca de 250 fiéis presentes orassem por Roberto Jefferson, presidente nacional do partido, submetido a uma cirurgia no sábado, 28, para a retirada de um tumor no pâncreas.

Convidado a fazer uma homilia informal sobre o milagre da multiplicação dos pães e peixes, Russomanno lembrou detalhes da morte de sua mulher, em 1990, por falta de atendimento médico, e não conteve as lágrimas.

Ele disse que, na época, se sentiu culpado por não fazer nada para melhorar a sociedade e decidiu agir em nome do coletivo. "É essa a multiplicação, quando a gente pensa em todos, e não no bolso próprio, que é infelizmente o que muitos políticos fazem", afirmou.

Comunhão. Em seguida, Russomanno, D'Urso e Machado se puseram ao lado do padre para cantar Romaria, do compositor Renato Teixeira, enquanto um coroinha erguia ao alto a imagem de Nossa Senhora Aparecida. No momento da comunhão, ao perceberem as duas longas filas de fiéis pelo corredor central da igreja, os três optaram por um atalho lateral em direção à hóstia.

"Eu devia ter sido padre e não fui. Sempre fui muito religioso", disse Machado, enquanto encerrava ele próprio a missa com um discurso sobre amor, fé e esperança.

Questionado pela reportagem, padre Nelson negou que sua intenção tenha sido pedir votos para algum candidato. "Vamos sempre nos colocar numa posição apartidária. A instrução do bispo é abrir as portas da igreja para quem já tem representatividade", disse, lembrando que os irmãos Tatto, do PT, já foram à sua paróquia em eleições passadas.

Enquanto Russomanno tomava café numa padaria do bairro, após a missa, Jack Frederico Neuber, 75 anos, abordou um dos correligionários do candidato e ofereceu: "Consigo dez votos para o Russomanno se ele escrever uma carta de recomendação para minha filha na faculdade". Prontamente, o assessor pegou seus dados, disse que daria um retorno e os levou para tirar uma foto com o candidato. Sua filha, Cláudia Gianinni, 41 anos, cursava administração na Universidade São Marcos, descredenciada em março último pelo Ministério da Educação. Desde então, ela diz não conseguir bolsa de estudos em outra faculdade. / BRUNO LUPION

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