Em Minas, vídeo vira prova em ação de compra de votos

Flagrante feito na cidade de Betim mostra assessora de candidato do PSDB distribuindo dinheiro a carroceiros

MARCELO PORTELA , BELO HORIZONTE, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2012 | 03h02

A Justiça Eleitoral considerou como prova válida o vídeo em que uma mulher aparece distribuindo dinheiro a carroceiros para que supostamente votem no deputado federal Carlaile Pedrosa (PSDB), candidato à prefeitura de Betim, município na região metropolitana de Belo Horizonte.

A decisão é do juiz Maurício Soares, do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), para quem a gravação não pode ser considerada ilícita porque foi feita em local aberto, em meio a várias pessoas.

O vídeo é prova em ação judicial movida pela candidatura da atual prefeita, Maria do Carmo Lara (PT), que disputa a reeleição. A campanha petista pede a impugnação do adversário por compra de votos e abuso de poder econômico.

Para o magistrado, o vídeo, divulgado no fim de semana pela revista Época, não pode ser considerado ilícito porque foi feito "em ambiente com grande número de pessoas, inclusive em local tumultuado e às portas abertas, conforme se verifica na gravação".

Dinheiro e material. Nas imagens, a mulher, que seria intermediária a serviço do tucano, distribui dinheiro a carroceiros. Cada um recebeu R$ 140, junto com material de campanha de Carlaile. O PT afirma na ação que é o próprio Carlaile o homem que aparece entregando o dinheiro para mulher repassar aos carroceiros.

O juiz Maurício Soares também determinou busca e apreensão de documentos no comitê eleitoral tucano para verificar se o carro que aparece no vídeo é ligado à candidatura.

Vice. No início das eleições, o candidato a vice de Carlaile, o deputado estadual Pedro Ivo Ferreira, conhecido como Pinduca (PP), já havia tido a candidatura impugnada a pedido do Ministério Público Eleitoral. Ele foi condenado em 2008 por abuso de poder econômico a três anos de inelegibilidade. Mas, com o advento da Lei da Ficha Limpa, a pena de Ferreira passou para oito anos de inelegibilidade.

Na sede do PSDB estadual, a informação foi de que quem poderia se pronunciar sobre o vídeo seria o próprio deputado federal Carlaile, que preside o diretório tucano de Betim. Porém, ele não atendeu o telefone nem retornou os recados deixados em sua caixa postal até o fechamento desta edição.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.