Em Minas, petista resiste aos apelos de Lula e Dilma

Roberto Carvalho, vice- prefeito da capital, não desiste de disputar em 2012 com Lacerda, eleito com apoio do PT e PSDB

MARCELO PORTELA, BELO HORIZONTE , O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2011 | 03h05

A pressão da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que levou a senadora Marta Suplicy (PT-SP) a abrir mão da pré-candidatura à Prefeitura de São Paulo não surtiu efeito em Belo Horizonte.

Integrantes da direção do PT e de partidos da base aliada que participaram de um encontro com Lula na capital mineira em agosto e acompanharam Dilma durante visita à cidade no mês seguinte afirmam que ambos pediram ao atual vice-prefeito, o petista Roberto Carvalho, que abrisse mão de sua pré-candidatura em favor de uma aliança pela reeleição do prefeito Marcio Lacerda (PSB), com provável participação do PSDB, mas ele se mantém irredutível.

Lacerda e Carvalho foram eleitos em uma chapa costurada pelo então prefeito e atual ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o petista Fernando Pimentel, e o ex-governador e hoje senador Aécio Neves (PSDB-MG). No entanto, pouco após o pleito, o vice e o prefeito entraram em rota de colisão. Carvalho insiste em uma candidatura sem a participação dos tucanos.

"O Lula pediu que fosse feita a construção (da aliança) com a base, mas ele (Roberto Carvalho) disse que estava fazendo a construção só com partidos como o PC do B e PMDB", revelou um dos participantes da conversa.

Em setembro, foi a presidente que desembarcou na capital mineira e manteve contatos com aliados. "A Dilma pôs ele dentro do carro e fez um apelo", conta um dirigente petista. Nada disso adiantou. Carvalho nega que tenha recebido apelos de Lula e Dilma. Diz que ocorreram apenas "conversas" sobre o cenário político da capital.

"Conversei com Lula e disse que estávamos construindo a candidatura com os partidos da base da presidente Dilma. Não é possível uma aliança com o PSDB. O maior opositor do governo da Dilma é o Aécio. Como vamos sentar no mesmo palanque que ele? Convidamos o PSB nas mesmas condições e, se não abrem mão do PSDB, é sinal de que estão optando pelo PSDB", disse ele. Segundo Carvalho, a conversa com Dilma foi "pessoal" e tanto ela quanto Lula concordam que a definição da candidatura é responsabilidade do diretório municipal do PT.

A persistência de Carvalho tem acirrado os ânimos entre prefeito e vice. Ontem, Lacerda exonerou 22 funcionários em cargos comissionados do gabinete de Carvalho. A prefeitura informou que os funcionários exonerados são de livre nomeação do prefeito e "não estavam cumprindo suas funções em consonância com as diretrizes da administração municipal".

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