Em Minas, Fiat vira pivô de embate entre PT e PSDB

Polêmica começou quando candidato tucano ao governo divulgou vídeo no qual diz que 'mineiros perderam investimentos e empregos que seriam gerados por uma nova fábrica da Fiat no Estado'

Suzana Inhesta, Marcelo Portela e Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

29 de setembro de 2014 | 21h57

Belo Horizonte - A montadora italiana Fiat esteve nos últimos dias no centro da disputa entre PSDB e PT em Minas Gerais. A polêmica começou quando o candidato tucano ao governo do Estado, Pimenta da Veiga, divulgou em seu programa eleitoral um vídeo no qual afirma que "os mineiros perderam investimentos e empregos que seriam gerados por uma nova fábrica da Fiat no Estado". Segundo ele, o grupo italiano decidiu transferir a planta para Pernambuco supostamente por pressão do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O episódio teria constrangido a direção da montadora no Brasil, segundo reportagem publicada no Valor Econômico. Há pouco, em coletiva antes de se reunir com médicos em Belo Horizonte, o presidenciável Aécio Neves (PSDB), governador do Estado na época, acusou PT e o candidato ao governo de Minas pelo PT, Fernando Pimentel, que era ministro do Desenvolvimento, de "ao apagar das luzes", ter optado "por criar condições para levar a unidade da Fiat para outro Estado da federação". Lula assinou, em 25 de novembro de 2010, a medida provisória 512, que alterou a lei 9.440, de 1997, prevendo benefícios fiscais para empresas do setor automotivo que investissem no Norte e no Nordeste, como a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). 

"Eu não sou contra a descentralização do parque automotivo brasileiro. Acho importante que ele chegue a outras regiões. Mas aquele projeto em especial já estava assegurado para Minas Gerais, assim como o polo acrílico", disse. "A grande verdade é que esses investimentos saíram daqui pela ação do governo federal do PT e sem que houvesse nenhuma reação sequer de uma liderança do PT de Minas Gerais e em especial daquele que disputa o governo do Estado agora", completou, informando que ele foi pessoalmente conversar com o presidente mundial da Fiat, na Itália, Sergio Marchionne. 

Ele ainda levantou um "desafio" a qualquer diretor da montadora de "dizer se estávamos ou não com os acordos prontos para que essa empresa se instalasse aqui em Minas Gerais e também dizer as razões que ela deixou o Estado". Aécio também comentou que depois do episódio, conseguiu aprovar no Congresso Nacional, um projeto de lei que as fornecedoras de autopeças se instalassem no norte de Minas, como o Vale do Jequitinhonha e do Mucuri. "Mas a presidente Dilma vetou esse benefício, e estava junto com o então ministro, Fernando Pimentel", declarou. 

Já Pimenta da Veiga criticou o fato de o diretor da Fiat ter falado sob anonimato. "Diretoria da Fiat é uma coisa impessoal. Diga o nome, quem que disse isso? Uma coisa importante dessa anônima? Isto é uma piada", declarou. 

Questionado se a campanha dele entrou em contato com a Fiat, Pimenta foi enfático: "Entrar em contato para quê? São fatos públicos. Tem documentos assinados. Sabe o que aconteceu? Se é que houve uma declaração, o governo do PT deve ter pressionado uma empresa privada para dizer alguma coisa que interessa a ele".

Saúde. Entre os compromissos na área de saúde, Aécio informou que, se eleito, criará a carreira dos profissionais e resgatará os investimentos do governo federal no setor, além de resgatar o programa saúde da família. Segundo ele, além da valorização dos profissionais da saúde, criará 500 clínicas de especialidade, onde está o grande gargalo no atendimento à população.

"No meu governo, o BNDES, terá um 'S' maior do que as outras letras, o 'S' do social, que será estendido para o 'S' da saúde. Vamos permitir que o BNDES financie os médicos recém-formados e mesmos outros médicos para que eles possam abrir clínicas de especialidades em regiões predeterminadas pelo governo e onde haja carência em determinadas especialidades", disse. Ele explicou que o pagamento desses médicos seria feito com uma parcela de sua clientela atendida pelo SUS.

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