Washington Alves/Estadão
Washington Alves/Estadão

Em Minas, escola tem drogas e falta de professores

Instituição é uma das que contribuíram para baixar a nota do Estado no ciclo de 6º ao 9º ano do ensino fundamental

Jonathas Cotrim, O Estado de S.Paulo

09 Setembro 2018 | 05h00

BELO HORIZONTE  - A Escola Estadual Tancredo Neves, em Belo Horizonte, convive com violência, falta de estrutura, professores com salários atrasados e consumo de drogas. A instituição é uma das que contribuíram para a queda do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) em Minas Gerais.

Nos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano), o Estado registrou Ideb de 4,5 em 2017, ante 4,6 em 2015. A meta do governo estadual era subir a nota para 5,0. Já a escola viu seu indicador cair de 4,2, para 3,0.

Estudantes e professores apontaram a violência e as greves como principais problemas da escola. Foram 48 dias de paralisação em 2018. “Estamos bem deslocados com essa greve. A gente não vai ter tempo para ver todas as matérias do ano”, afirmou a aluna do 9º ano Bruna Fonseca, de 13 anos. Ela diz que os casos de bullying são frequentes.

Um estudante que não quis se identificar disse que foi alvo de pedradas por ser homossexual. Outros relataram que, além das brigas, é comum o tráfico de drogas. “Tem muita briga e a escola não faz nada”, relatou o aluno Taironi Nascimento Silva, de 15 anos, do 7º ano. 

Alunos reclamam de ventiladores estragados a falta de professores. A docente de história havia faltado no dia em que a reportagem visitou a escola. A funcionária Iara Oliveira reclama que o governo tem atrasado os salários e faz críticas à gestão do governador Fernando Pimentel, que tenta a reeleição pelo PT. “Fizemos duas greves e ele nem olhou para a nossa causa”, diz. Apesar dos atrasos, a professora Quézia Faria afirmou que os salários aumentaram em relação à gestão de Antonio Anastasia, antecessor de Pimentel, e que tenta retornar ao governo pelo PSDB.

O diretor da escola, Itamar Martins, aponta o alto índice de reprovação, que chega a 50%, como uma das razões para a queda no Ideb, que atende 16 comunidades carentes na região. Martins reconhece que problemas com violência são frequentes e diz que convive com facções dentro da escola. Para o diretor, a tendência para os próximos anos é que o Ideb na escola continue caindo. “Está todo mundo desmotivado, tanto aluno como professor. Até para manter a disciplina dentro de sala é difícil”.

O diretor mostrou à reportagem um punhado de maconha que havia tirado de um aluno de 13 anos. 

Apesar de fazer muitas críticas à gestão Pimentel, a coordenadora pedagógica da Tancredo Neves, Andreia Leal, lembrou que na gestão de Anastasia muitos benefícios dos professores foram retirados. “Ele disse que a gente receberia um bônus ao final de cada ano e nunca recebemos”. No governo petista, a coordenadora reclamou que não há investimento na formação dos professores. “Não recebemos nenhum apoio para fazer um curso de capacitação.”

Mesmo com muitas dificuldades, ela mostra com orgulho a biblioteca reformada pela escola. “Tudo que a gente fez aqui precisou da nossa iniciativa e do nosso bolso”. 

O que diz o governo de Minas

Por meio de nota, o governador Fernando Pimentel afirmou que, apesar da redução do Ideb nos anos finais do fundamental, Minas teve aumento nos anos iniciais e ensino médio, além de reduzir evasão. Disse ainda que, desde 2016, o Estado implantou um acompanhamento pedagógico para estudantes do 4º ao 9º ano com dificuldade em leitura e escrita.

O candidato do PSDB Antonio Anastasia fez críticas a Pimentel. “É com tristeza que vemos indicadores cada vez piores para a educação em Minas”, afirmou, por meio de nota. De acordo com o senador, durante sua gestão, Minas esteve “no topo do ranking em qualidade da educação no País”.

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