Jonathas Cotrim
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Em MG, candidatos trocam farpas no primeiro debate do segundo turno

Anastasia insiste em atacar o 'despreparo' de Zema enquanto o candidato do Novo acusa a campanha do senador de divulgar 'fake news'

Jonathas Cotrim, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2018 | 01h47

BELO HORIZONTE - O primeiro debate do segundo turno da disputa para o governo de Minas Gerais, realizado pela TV Band Minas na noite desta quinta-feira, 18,  foi marcado pela troca de críticas entre os candidatos do PSDB, Antonio Anastasia, e Romeu Zema do Novo. Apesar das farpas, o tom do debate foi morno.

Desde as considerações iniciais, Anastasia procurou atacar o despreparo do empresário de 53 anos, que disputa um cargo público pela primeira vez. Falando em “comparar os programas”, o tucano usou diversas declarações dadas pelo adversário para desconstruí-lo, como uma entrevista dada para uma rádio do interior de Minas em 2017, na qual Zema disse que se considerava despreparado para a vida pública.

O candidato do partido Novo também partiu para o ataque, acusando a campanha do senador de divulgar “fake news”. “Mentiras a meu respeito tem sido feitas a todo instante. Só não fui acusado ainda de ser canibal ou serial killer”, disse o empresário.

Após o senador dizer que o segundo turno é “uma comparação de duas propostas e duas trajetórias”, Zema perguntou se Aécio Neves, que foi eleito deputado federal com 106 mil votos, era quem controlava a campanha. “A campanha é minha e sou responsável por aquilo que coloco nas redes sociais e nas propagandas”, respondeu Anastasia.

Outro ponto que virou motivo para embate entre os candidatos foram as mudanças promovidas por Romeu Zema em seu plano de governo. “O que nós vemos é que o programa do candidato diz A e depois diz B, é muito triste entregar Minas para uma pessoa que diz uma coisa a cada momento”, disse Anastasia.

Romeu Zema respondeu dizendo que não via problema em promover mudanças no plano de governo, que não possui propostas “genéricas”, como o plano de Anastasia. “Nós somos humildes para rever nossos pontos. O mundo é dinâmico. O problema é que os políticos de sempre estão com ideias congeladas há décadas”, disse o empresário.

A questão das privatizações também foi motivo de troca de farpas entre os candidatos. Romeu Zema disse que pretende construir parcerias com instituições privadas para que “concluam hospitais e destinem parte dos leitos para o SUS” e Anastasia chamou a proposta de “despropositada”. “Queremos fortalecer parte da saúde. Ela deve ser única e universal”, disse o senador.

O debate seguiu com ataques indiretos. Em diversos momentos, Anastasia disse que Romeu Zema “deveria estudar mais” ou que o adversário “não conhece a história da administração de Minas Gerais”, enquanto o empresário declarou que “os mesmos políticos de sempre não resolverão o problema” e atacou a gestão de Anastasia como governador do Estado, entre 2010 e 2014.  

O debate na Band foi composto de cinco blocos. No primeiro, os candidatos se apresentaram e tiveram direito a uma pergunta de tema livre, seguido de réplica e tréplica. No segundo bloco, enquanto um postulante respondia perguntas feitas por jornalistas, o outro comentava a resposta do adversário. No terceiro, os candidatos voltaram a fazer perguntas entre si, e no quarto responderam questões enviadas pelos telespectadores. No último bloco, os dois tiveram um minuto e meio para as considerações finais.

 

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