Em mensagem a eleitor nordestino, Aécio explora a seca

Tucano grava 3 tipos de spots que vão ao ar neste mês, moldando o discurso conforme o eleitorado; marqueteiro é um antropólogo

JULIA DUAILIBI, O Estado de S.Paulo

14 Abril 2013 | 02h15

Em mensagens no rádio e na televisão gravadas para o eleitor do Nordeste, o senador e presidenciável do PSDB, Aécio Neves (MG), ataca a ação do governo federal no combate à seca e fala em "ousadia" para garantir água às famílias da região. Com as declarações o tucano mira o eleitor nordestino, que votou majoritariamente no PT nas últimas disputas presidenciais, e o reduto eleitoral do governador Eduardo Campos (PE), presidenciável do PSB, que rivaliza com ele como possível opção à reeleição de Dilma Rousseff em 2014.

As declarações de Aécio fazem parte de um pacote com três tipos de comerciais regionais do PSDB, estrelados pelo senador em inserções no rádio e na televisão. Os spots, que serão exibidos neste mês, são uma prévia do programa nacional do partido que irá ao ar em maio, quando o senador estreia nova estratégia, novo marqueteiro e novo discurso para impulsionar a sua pré-candidatura à Presidência.

"O nordestino sofre hoje com a pior seca em 40 anos. Se não chover logo, não haverá nem onde mais buscar água. Está na hora de prepararmos o Nordeste para um ousado projeto que garanta água para que as famílias possam preparar a terra e manter os seus rebanhos", disse Aécio. "A seca é inevitável, mas ela só vira calamidade, como agora, quando falta governo", completou.

O senador aparecerá em três comerciais de 30 segundos: um para a região Nordeste, outro para o Rio de Janeiro e um terceiro, genérico, para o resto do País. Em São Paulo, principal colégio eleitoral brasileiro, Aécio não terá palanque eletrônico. Embora a maior parte das lideranças paulistas já defendam o projeto presidencial do senador, o governador Geraldo Alckmin, candidato à reeleição, preferiu usar as inserções para propagar feitos da sua administração.

O objetivo dos comerciais regionais é tornar Aécio conhecido nacionalmente. No final, as três inserções seguem uma sequência padrão, que soa como um slogan, por meio do qual ele tenta se aproximar do eleitor. "Sou Aécio Neves, fui governador de Minas. E se você também acredita que é possível, vamos conversar."

As inserções foram elaborados com ajuda da equipe do antropólogo Renato Pereira, contratado pelo partido para ser o novo marqueteiro e cuja estreia para valer será no programa nacional de maio, depois da convenção do PSDB, que elegerá Aécio presidente da legenda. Antes de fechar com Pereira, Aécio se encontrou duas vezes com o publicitário Nizan Guanaes, que teria manifestado não ter interesse de estar na linha de frente de uma campanha.

O contrato de Pereira com o PSDB vai até junho e teria custado mais de R$ 2,5 milhões. Considerado um dos nomes da nova geração de marketing político, ele trabalhou nas campanhas vitoriosas de Eduardo Paes (PMDB) para a Prefeitura do Rio e de Sérgio Cabral (PMDB) para o governo fluminense.

Discurso. Duas pesquisas qualitativas estão sendo preparadas pela moldar o discurso oposicionista de Aécio. Uma encomendada por Pereira. Outra pelo Instituto Teotônio Vilela (ITV), presidido pelo ex-senador Tasso Jereissati (CE), aliado de Aécio, ao consultor Orjan Olsen, da Analítica. A irmã de Aécio, a jornalista Andrea Neves, também colabora com a criação da estratégia em reuniões com o grupo de Pereira.

Nos comerciais, Aécio fala ainda da inflação, tema que tem usado para atacar o governo. "Tem momentos na vida em que a gente tem que fazer escolhas. Esse é um desses momentos. O PSDB escolheu lutar por uma saúde pública que funcione, segurança para as nossas famílias, inflação controlada e respeito pelo dinheiro público." E lança um bordão: "Essas coisas que às vezes dizem que não tem mais jeito, mas que tem jeito, sim". Na propagando que irá ao ar no Rio, ele chama o eleitor de "meu amigo, minha amiga aqui do Rio".

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