Alex Silva/AE - 24.10.2011
Alex Silva/AE - 24.10.2011

Em lançamento de filme sobre o avô, Aécio olha para as eleições de 2014

Senador diz que 'ninguém é dono do seu destino' em pré-estreia de filme sobre Tancredo, que reuniu tucanos em cinema paulistano

Gabriel Manzano, de O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2011 | 03h01

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) não conseguiu fugir do tema eleições presidenciais, nesta segunda-feira, 24, em São Paulo, na estreia do documentário Tancredo, a Travessia, que retrata alguns dos principais episódios da vida de seu avô. Indagado sobre sua possível candidatura em 2014, como um "continuador" do destino político do avô, o senador filosofou: "O que determina isso são sempre as circunstâncias. Ninguém é dono do seu destino".

Aécio foi à exibição acompanhado da irmã, Andrea, e da mãe, Inês Maria. A cúpula tucana também prestigiou o filme, produzido pela Intervídeo, de Roberto d'Ávila, e dirigido por Silvio Tendler. Entre os convidados estavam o governador Geraldo Alckmin - que levou consigo a primeira-dama, Lu Alckmin - , os ex-governadores José Serra e Alberto Goldman e o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra (PE). Também estavam lá outros secretários tucanos, como Andrea Matarazzo, de Cultura do Estado, e José Gregori, dos Direitos Humanos do município, e o ex-jogador de futebol Ronaldo Nazário.

"O Brasil perdeu pelo menos dez anos com esse episódio", comentou Aécio sobre a morte de Tancredo, um dos momentos cruciais do filme. Ele desconsiderou as cobranças de que a produção poderia ajudar sua eventual candidatura. "Fiz questão que não fosse um filme sobre família. Queríamos a figura de Tancredo bem retratada."

Eleições foram ainda o tema de Alckmin. Logo ao chegar ele comentou os apelos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para que o PSDB olhe melhor para a periferia. "É o que eu sempre disse, a gente tem de amassar barro. Já fizemos isso, e vamos continuar fazendo."

Serra também falou de 2014, ao enfatizar a importância das alianças, uma marca de Tancredo. "Alianças são fundamentais, elas fazem parte do cenário, especialmente em um cenário multipartidário como o nosso."

Participação. Em 95 minutos, o filme dá a Aécio um tratamento generoso. Embora não tivesse participação direta nos episódios mais importantes da vida política do avô - ele tinha 25 anos e era secretário particular de Tancredo em 1985 -, suas aparições são marcantes: está presente em mais de dez inserções. São bem mais breves as cenas de políticos que conviveram com Tancredo e partilharam de decisões, como os ex-presidentes FHC ou José Sarney.

O diretor se defende. "Toda vez que faço um documentário aparece alguém dizendo que favoreci alguém. Isso não procede. No filme eu ouvi Aécio, como ouvi o general Leônidas (Pires Gonçalves, ex-ministro do Exército), ouvi o Fernando Lyra (ministro da Justiça do governo Sarney, indicado por Tancredo), tantos outros, até o Jarbas Vasconcelos (que foi contra a eleição indireta que elegeu Tancredo)". O diretor lembrou, ainda, que queria, apenas, "fazer um filme histórico".

D'Ávila refutou, como ele, a tese de que o filme serviria a propósitos políticos de Aécio. "Não é um filme chapa-branca", afirmou o produtor.

Em tom contido, mas elogioso, Tancredo entrevista 28 personalidades e repassa episódios da vida do político mineiro: sua participação nos dias finais de Getúlio Vargas, toda a articulação para a posse de João Goulart em 1964, os contatos com o general Castelo Branco, a oposição ao regime militar e os discursos nos comícios das Diretas Já.

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