Em juízo, Cachoeira só faz declarações de amor

Contraventor se recusa a responder perguntas em audiência judicial da Monte Carlo e promete casar com Andressa quando deixar penitenciária

ALANA RIZZO, ENVIADA ESPECIAL / GOIÂNIA, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2012 | 03h10

Denunciado pelo Ministério Público Federal, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, aproveitou a audiência de instrução dos processos da Operação Monte Carlo ontem para fazer declarações a Andressa Mendonça, sua companheira há três anos. O contraventor disse que não responderia a perguntas relacionadas ao processo, ressaltando que gostaria de fazer "um bom debate" com os procuradores. No entanto, diante das "falhas processuais", Cachoeira decidiu ficar em silêncio.

No início do depoimento, Cachoeira afirmou que casaria assim que fosse libertado. O casamento foi adiado por causa da prisão do noivo. "Ela me deu uma nova vida. Te amo, tá?", disse ele a Andressa, que também se declarou em público. Os dois moravam juntos na casa que era do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Hoje, eles se encontram semanalmente na Penitenciária da Papuda, em Brasília.

Andressa, que acompanhou os dois dias de audiência, já avisou que, se ele permanecer detido, vai diminuir o ritmo das visitas por causa do assédio da imprensa e do ambiente "pesado" da cadeia.

Preso preventivamente há 148 dias, Cachoeira afirmou estar sofrendo com seu estado de "leproso jurídico". Bem humorado, disse ao juiz que as decisões judiciais são sempre contrárias e que tem poucos votos a seu favor.

Depoimento. As audiências de instrução do processo dos oito réus da Monte Carlo terminaram ontem. A expectativa é que o julgamento ocorra em 30 dias.

Cachoeira foi o quarto réu a falar. Os outros seis - Geovani Pereira está foragido - usaram o direito de ficar em silêncio. Responderam só a perguntas de qualificação e até fizeram desabafos.

Homem de confiança de Cachoeira, segundo o MP, Gleyb Ferreira chorou ao dizer que sua prisão é injusta e que se sente humilhado por conviver com marginais, estupradores e traficantes.

Primo de Cachoeira, Lenine Araújo insistiu que as provas obtidas pela PF são ilegais e não respondeu se tinha um aparelho Nextel habilitado nos EUA. O ex-vereador Wladimir Garcêz também afirmou que foi preso injustamente e que não tem rádio habilitado nos EUA. E disse que o "Wladimir" citado em alguns trechos da operação é outra pessoa.

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