Em governos do PSB, choque com o discurso da sustentabilidade

Eduardo Campos autorizou destruição de manguezal em Suape, mas procura dar novo rumo à política ambiental de Pernambuco

MATEUS COUTINHO, ANGELA LACERDA / RECIFE, O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2013 | 02h06

Algumas das principais administrações do PSB no País possuem exemplos de projetos e empreendimentos que entram em choque com o discurso da sustentabilidade, principal ponto da "aliança programática" apresentada por Marina Silva ao ingressar no partido de Eduardo Campos.

No seu segundo mandato, o próprio governador de Pernambuco procura dar novo rumo à política ambiental no Estado. Campos, no entanto, encerrou o primeiro governo, em 2010, aprovando a derrubada de 600 hectares de manguezal no complexo industrial e portuário de Suape - na região metropolitana do Recife - para atrair mais empreendimentos à área que concentra 105 empresas e tem outras 45 em implantação.

O Ministério Público Estadual instaurou um inquérito civil para monitorar a situação de Suape. O complexo começou a ser construído no fim da década de 1970, no estuário de quatro rios, o mais rico do litoral pernambucano. Na época não havia legislação ambiental e o passivo acumulado pelas indústrias instaladas é calculado em mais de R$ 200 milhões.

No segundo mandato, Campos criou a Secretaria de Meio Ambiente, comandada por Sérgio Xavier, integrante do PV e aliado da ex-ministra. "Marina reconhece a mudança de postura do governador e eu sou testemunha disso", disse Xavier. Segundo ele, no primeiro mandato de Campos "não havia preocupação nem prioridade com as questões ambientais".

Mata atlântica. O Piauí, governado por Wilson Martins (PSB), foi considerado o 3.º Estado que mais desmatou a mata atlântica em 2012, com a perda de 2.658 hectares, conforme levantamento da Fundação SOS Mata Atlântica e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O Estado também tem um histórico de problemas com carvoarias. A própria Marina, então ministra do Meio Ambiente, propôs em 2006 a criação de uma unidade de conservação na região de Serra Vermelha (veja mais abaixo), área alvo de carvoarias.

Somente no ano passado, o Ministério Público Federal no Piauí conseguiu na Justiça que fosse determinada a paralisação de 10 carvoarias licenciadas pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos.

Decreto. Administrada pelo prefeito Marcio Lacerda (PSB), a capital mineira é alvo de polêmica envolvendo sua última grande área verde, conhecida como Granja Werneck. Em 2010, o prefeito baixou decreto para transformá-la na 10.ª regional da cidade, permitindo assim sua ocupação. O Ministério Público Estadual, contudo, enviou uma recomendação pedindo para a prefeitura suspender o decreto, pois uma das conselheiras do Conselho Municipal de Meio Ambiente que aprovou a proposta para o local era mãe da advogada de uma das empreiteiras que tem projeto para a área.

A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público abriu inquérito e investiga o caso. O Estado não conseguiu contato com o prefeito.

Prêmio. Mas o PSB, por outro lado, possui um governador, Camilo Capiberibe, do Amapá, premiado em fevereiro deste ano com o título de "Herói da Sustentabilidade". O prêmio, promovido pela ONG Conservação Internacional, é concedido às pessoas que se destacaram na preservação do meio ambiente e na promoção do desenvolvimento sustentável.

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