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Em funk, Alckmin diz que Skaf 'quer distância' de pobre

Campanha tucana no rádio associa imagem do candidato do PMDB à figura do 'patrão'; adversário, ao som de forró, diz que atual governador não cumpre promessas, mesmo mote usado pelo petista Alexandre Padilha

Lilian Venturini, O Estado de S. Paulo

10 de setembro de 2014 | 09h21

Atualizado às 17h50

São Paulo - Ao som de um funk, a campanha do governador Geraldo Alckmin (PSDB), candidato à reeleição, procurou associar seu principal adversário, Paulo Skaf (PMDB), à imagem do representante "dos patrões" na disputa ao governo de São Paulo. Na abertura da propaganda tucana no horário eleitoral do rádio na manhã desta quarta-feira, 10, a música diz ainda que Skaf "quer distância" de pobre. Skaf e o candidato petista Alexandre Padilha, por sua vez, centraram os ataques no tucano, mas embalados por forró e samba.


"Pagando de bacana, ele só gosta da fama. De pobre quer distância, ele não gosta não. Sempre foi servido, sempre foi mandão. Nunca serviu ninguém, só paga de patrão", diz um dos trecho do funk, que, segundo o locutor do programa, faz "sucesso na casa dos patrões". A imagem de que Skaf é o "candidato das elites e dos patrões" também é explorada com frequência pelo ex-ministro Alexandre Padilha, candidato do PT ao governo.

Skaf é empresário e desde a década de 1990 se reveza em cargos de comando de entidades empresariais. A propaganda ironizou a trajetória do adversário e sua ligação com o Sesi, ligado à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), da qual o candidato é presidente licenciado. "Ele nasceu em berço de ouro, sempre teve vida boa, vida de barão. Skaf fica só na pose, o seu negócio é ostentação."

Nas duas últimas semanas, a campanha de Alckmin tem focado os ataques ao candidato do PMDB, segundo colocado nas pesquisas eleitorais. Após registrar alta nos últimos levantamentos, o peemedebista caiu cinco pontos porcentuais e tem 18% das intenções de voto, de acordo com levantamento Ibope divulgado nessa terça-feira, 9. Alckmin manteve a liderança, com 48%, e venceria a eleição no primeiro turno. Alexandre Padilha oscilou de 7% para 8%.

Na semana passada, a propaganda tucana usou parte do horário eleitoral para fazer críticas a aliados da chapa de Skaf e para explorar a aliança nacional entre seu partido, o PMDB, e o PT, ligação que o candidato tenta evitar na disputa paulista em razão da tradicional rejeição do eleitorado ao partido.

Já as propagandas eleitorais de Skaf e Padilha desta quarta direcionaram os ataques ao governo tucano. O candidato do PMDB, aliás, disse estar claro que o eleitorado paulista "cansou do PT e do PMDB". Com abordagem parecida, mas ritmos diferentes, as campanhas dos dois candidatos enumeraram obras e projetos ainda não executados e exploraram o jargão "prometeu e não fez".

"Tem muita coisa do Alckmin você tem que saber. Ele prometeu demais e não conseguiu fazer. Ele tem tanta promessa que começa a se perder. Já não sabe o que faz para se manter no poder", diz a propaganda peemedebista, ao som de um forró, após citar programas de transporte, saúde e segurança pública ainda pendentes no atual governo, segundo o candidato. "E não é que o candidato tá com medo de perder e tá falando mal do Skaf só para confundir você", complementa a música.

Já Padilha usou um samba para dizer que o governador não entregou obras do Metrô dentro do prazo anunciado. "Chega ano de eleição ele repete as mesmas promessas. Não caio nessa, Geraldão, não caio nessa", diz a música, para em seguida a locutora apresentar Padilha como o candidato que "não vai privilegiar as elites nem os patrões". A propaganda petista apresentou reclamações de eleitores sobre o transporte público e voltou a mostrar a proposta de criação do Bilhete Único Metropolitano.

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