JARBAS OLIVEIRA
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Em Fortaleza, aliados pela 1ª vez em 31 anos

PMDB e PSDB, que apoiam a mesma chapa neste ano, não se aliavam no 1º turno de uma eleição municipal desde a redemocratização

Igor Gadelha, ENVIADO ESPECIAL

20 Agosto 2016 | 19h00

FORTALEZA - Quinto maior colégio eleitoral do País, Fortaleza terá uma eleição neste ano com a primeira aliança municipal entre PMDB e PSDB no 1.º turno desde a redemocratização no País, em 1985. A aproximação entre os dois partidos no Ceará começou na eleição estadual de 2014, quando as duas principais figuras dos partidos no Estado, os senadores Tasso Jereissati (PSDB) e Eunício Oliveira (PMDB), se uniram para se opor às chapas articuladas pelos irmãos Cid e Ciro Gomes, do PDT.

Neste ano, PMDB e PSDB apoiam a candidatura a prefeito do deputado estadual Capitão Wagner (PR). O PMDB indicou o candidato a vice da chapa: Gaudêncio Lucena, atual vice-prefeito de Fortaleza. Os peemedebistas romperam com os irmãos Gomes na campanha de 2014, porque Cid e Ciro preteriram a candidatura de Eunício a governador para apoiar Camilo Santana (PT), que foi eleito.

A aliança entre PMDB, PSDB e PR tenta derrotar o atual prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT). O pedetista disputa a reeleição tendo como candidato a vice o deputado federal Moroni Torgan (DEM). Os dois têm como principais cabos eleitorais os irmãos Gomes e Camilo Santana. Em retribuição ao apoio que recebeu do PDT em 2014, o governador petista está preterindo até mesmo a candidatura da deputada Luizianne Lins (PT), que tenta voltar à prefeitura da capital, cargo que ocupou de 2004 a 2012. 

Impeachment. Os três principais candidatos a prefeito de Fortaleza tentam deixar o processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff fora do debate eleitoral. “Ninguém vai mexer nisso. O Roberto Cláudio e os Ferreira Gomes até ensaiaram essa questão do golpe, mas, quando colocam o Moroni, do DEM, na vice, com que moral vão falar em golpe?”, disse Wagner. Segundo ele, sua campanha trabalhará apenas com as lideranças locais.

Wagner admitiu que trazer a questão do impeachment ao debate poderia prejudicá-lo em um eventual 2.º turno. “A gente tem possibilidade de aliança com a Luizianne. Então, a gente quer evitar qualquer barreira já no primeiro turno”, afirmou.

“O que interessa à cidade não é o debate nacional, é o debate local”, disse Roberto Cláudio, que se diz contrário à saída de Dilma Rousseff. Até mesmo a candidata do PT afirmou que o impeachment não deve estar em primeiro plano no debate. “Vamos ter que ter a boa dose de compreender, porque tem gente que não está preocupada nacionalmente com que está acontecendo.” O discurso de Luizianne revela a divisão no PT sobre a estratégia de “nacionalizar” a campanha. Dirigentes do partido divergem sobre a eficácia de repetir a tese de “golpe” nas disputas municipais.

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