REUTERS/Paulo Whitaker
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Em evento, Amoêdo e Boulos concordam em criar identidade digital única

Henrique Meirelles também esteve presente no GovTech – que busca uma agenda digital para o setor público – e aproveitou para criticar Bolsonaro e Ciro Gomes

Gilberto Amendola, Marianna Holanda e Marcelo Osakabe, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2018 | 21h14

Distantes no espectro político, os candidatos João Amoêdo (Novo) e Guilherme Boulos (PSOL) encontraram um ponto de convergência em evento realizado na noite desta terça-feira, 7, em São Paulo. Para uma palestra de entusiastas de tecnologia, ambos concordaram na criação da identidade digital única.

Amoêdo foi o primeiro presidenciável a falar no evento GovTech. A entrevista foi conduzida pelo empresário e apresentador Luciano Huck, que chegou a ser cogitado como candidato outsider na campanha eleitoral. O presidenciável do Novo afirmou que um governo digital "tiraria o poder da burocracia, de quem está no poder, e devolveria o poder ao cidadão".

Do ponto de vista prático, o candidato disse que pretende implementar o documento único digital (que substituiria CPF, RG, Título de Eleitor) e usar a tecnologia para melhorar a gestão da saúde.

"Com tecnologia, vamos implementar o prontuário eletrônico, marcação de exames, receitas e tele medicina", disse. Amoêdo também prometeu mais uma vez que, se for eleito, vai acabar com os cartórios e facilitar a abertura de empresas.

Perguntado por Huck sobre os empregos que podem ser afetados com o avanço da tecnologia, como o dos cobradores de ônibus (que podem ser substituídos por máquinas), Amoêdo disse ser favorável ao uso da tecnologia e a substituição de postos de trabalho. "O cidadão pagaria menos pelo serviço e o dinheiro economizado poderia fomentar o consumo e a abertura de novos postos de trabalho", afirmou.

No palco, Amoêdo deu lugar a Boulos, que disse que a meta do eventual governo dele é a universalização do acesso à internet. "Internet não pode ser privilégio", disse.

O candidato do PSOL falou do que chamou de "mistificação em torno da iniciativa privada" quando se trata do investimento em tecnologia. "O iPhone, por exemplo, foi criado com dinheiro público, veio de investimento público, não da Apple".

Para Boulos, se o cidadão pudesse votar pelo celular, como faz no The Voice (reality show de cantores), "metade do Congresso estava fora".

Huck perguntou à Boulos se o tema da inovação tecnológica pode ser pensado em termos de "direita e esquerda". O candidato do PSOL afirmou que defende a tecnologia como uso social e com código aberto. "Nós não encaramos a tecnologia com a lógica da propriedade. Temos que colocar isso à serviço do combate das desigualdades", disse.

Para Boulos, a tecnologia não é em si "um bem necessário". "Não é um valor supremo, produziu a bomba atômica, e nem sempre foi utilizada para implementar os valores éticos.

Boulos disse imaginar que através do smartphone a população deveria poder se relacionar com o poder público. "Uma democracia 5.0 com participação digital, através de plebiscitos, referendos", afirmou.

Meirelles defende digitalização do governo e cutuca Bolsonaro e Ciro

Fazendo eco aos candidatos que já haviam se apresentado no GovTech, evento que busca uma agenda digital para o setor público, o presidenciável do MDB, Henrique Meirelles, defendeu um governo totalmente digitalizado e uma identidade digital única que para facilitar o acesso do cidadão aos serviços públicos.

"Você vai conhecer hoje o Meirelles geek", disse o emedebista, usando a gíria em inglês para o aficionado em tecnologia. Meirelles contou então que ajudou a criar o primeiro banco totalmente digital dos Estados Unidos e também no Brasil, e que as passagens dele no Banco Central e Ministério da Fazenda também foram marcadas por medidas de digitalização.

"No meu tempo, na bolsa de valores, os operadores trabalhavam aos gritos, pareciam o Bolsonaro e o Ciro", ironizou, ao citar uma das transformações que aconteceram durante o mandato dele no BC. Atualmente, as operações da B3 são inteiramente digitais e não existe mais o pregão físico.

Meirelles, como os demais presidenciáveis no evento, participou de um bate papo de 20 minutos com apresentador da TV Globo Luciano Huck. Ele corrigiu o apresentador quando este o chamou de candidato do governo. "Primeiramente, não sou candidato do governo. Também trabalhei no governo Lula e também fui executivo na iniciativa privada", comentou.

Meirelles chegou com um certo atraso no evento. Aproveitando o tempo necessário para esperá-lo, Huck fez "propaganda" do Renova BR, grupo de renovação política do qual participa, e pediu apoio ao financiamento dos candidatos novos. "O sistema todo esta construído para não se renovar. (Para mudar), escolham seus candidatos novos e façam suas doações", pediu.

Alckmin defende coligação e comete gafe

Ao chamar o candidato à Presidência pelo PSDB nas eleições 2018, Geraldo Alckmin, ao palco do evento do GovTech, em São Paulo, o apresentador da TV Globo Luciano Huck citou toda a coligação que o presidenciável representa. A sopa de letrinhas arrancou risadas da plateia e provocou reação do tucano.

Perguntado por Huck se a coligação daria muito, Alckmin respondeu que ela "é do tamanho dos desafios que o Brasil vai ter que enfrentar".

Antes da entrevista começar, Alckmin cometeu uma gafe, chamando a mulher de Luciano Huck de "Eliane". O apresentador corrigiu, de forma bem humorada. A mulher de Huck é a apresentadora Angélica. Ao final da explanação dele, o tucano fez questão de mandar um beijo para ela.

Alckmin falou que o objetivo do plano do eventual governo dele é de usar a tecnologia para desburocratizar e destravar a economia.

Assim como outros candidatos, comentou sobre a importância de uma identidade digital única. "O Brasil tem essa cultura de cartório, de estabelecer regras, de custos, de carimbos. Precisamos inverter, facilitar a vida das pessoas, que podem fazer todo de casa, pelo celular", afirmou.

O ex-governador de São Paulo disse também que o próximo Presidente da República precisa liderar o trabalho de implementação da cultura digital no governo e na sociedade. "O Brasil não cresce porque ficou caro. Precisamos de uma reforma de estado, essa reforma não existe sem um governo digital", disse.

Alckmin disse que o governo não pode ser um problema na vida das pessoas. "Sou fã de concessões e PPPs. O Estado não precisa ser empresário, ser planejador e regulador, sem agência partidarizada", afirmou.

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