Reprodução
Reprodução

Em entrevista, Russomanno minimiza ditadura no Brasil: ‘Governo militar’

Declaração do candidato do Republicanos à Prefeitura de SP está alinhada com falas do presidente Bolsonaro sobre o período entre 1964 e 1985

Paula Reverbel, O Estado de S.Paulo

14 de outubro de 2020 | 22h03
Atualizado 15 de outubro de 2020 | 22h47

Em entrevista dada ao SBT, o candidato do Republicanos à Prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno, minimizou a ditadura militar que vigorou no Brasil entre 1964 e 1985.

“Ditadura, eu acredito, é o que a gente vive nos países em que a gente não pode entrar ou sair do país, que o seu passaporte é cassado. Isso é uma ditadura. Nós vivemos aqui um governo militar sem dúvida nenhuma”, afirmou o deputado.

A afirmação está alinhada com falas de Bolsonaro que enaltecem o período. O candidato também disse que as Forças Armadas cuidam dos Três Poderes do regime democrático.

Para Entender

Veja propostas de Celso Russomanno

Confira quais são os principais pontos do plano de governo do candidato do Republicanos para a Prefeitura de São Paulo nas áreas da Saúde, Educação, Emprego, Transporte, Segurança, Meio Ambiente e Habitação

“Lembrem-se que, na década de 1960, as donas de casa saíram às ruas batendo panelas pedindo para que os militares assumissem o poder. Isso não faz parte da minha vida porque eu era garotinho naquela época, mas eu tenho certeza que a democracia se constrói com a liberdade que nós temos hoje. E é isso que nós temos que preservar, e vamos preservar, a manutenção das três forças: Executivo, Legislativo e Judiciário, cuidados pela Marinha, Exército e Aeronáutica”, afirmou.

Na mesma entrevista, o candidato foi questionado se não foi preconceituoso ao sugerir que moradores de rua adquiriram imunidade contra o coronavírus porque não tomam banho todos os dias. Ele afirmou que a Prefeitura não dá aos moradores de rua a possibilidade de tomar banho diariamente e afirmou que sua fala foi tirada de contexto “para fazer sensacionalismo”.

“O que eu estava discutindo era que a ciência precisa estudar muito ainda a covid para entender por que (motivo acontece de), onde existe aglomeração, onde as pessoas da periferia estão aglomeradas em pequenas moradias com cinco, seis, dez pessoas e não contraem a doença... Por que os moradores tem casos pontuais e se alardeava – isso que eu dizia no contexto – que quando a covid chegasse no Brasil, ela atacaria de pronto a cracolândia e os moradores de rua. E isso não aconteceu”, afirmou na entrevista. 

“Então, no contexto da história, onde eu discutia que a covid precisa ser mais estudada, inclusive pelos cientistas, para explicar esses fenômenos, é que sacaram no meio do caminho a frase ‘Celso Russomanno diz que moradores de rua não tomam banho’. Eu disse que eles tinham dificuldade de tomar banho, que eles não tinham estrutura nenhuma”, acrescentou.

Mais cedo, o candidato havia feito uma ligação entre a falta de banho e uma eventual imunização contra a doença – uma tese sem respaldo na ciência, de acordo com infectologista ouvido pelo Estadão

“Eu estava fazendo uma consideração de que a ciência tem que explicar por que eles (os moradores de rua) são imunes. Talvez porque tenham mais resistência, só por isso, era isso que eu queria falar. Eles têm mais resistência que a gente. O que eu disse, e volto a repetir, é que se alardeava – e eu começo falando isso – que os moradores e rua e que a cracolândia seriam dizimados , seriam exterminados pela covid-19. E não foi o que aconteceu”, afirmou, na saída de um almoço com associações e empresários de moda de atacado e de varejo do Brás.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.