Em entrevista, Celso Russomanno propõe isolar a Cracolândia

Candidato do PRB a prefeito de SP, deputado quer três barreiras policiais na área de consumo de droga e fim de programa de Haddad

Adriana Ferraz, Pedro Venceslau e Tonia Machado, O Estado de S. Paulo

02 Agosto 2016 | 08h36

O deputado federal Celso Russomanno, candidato do PRB à Prefeitura de São Paulo, propôs a instalação de barreiras policiais na Cracolândia, na região da Luz, e o fim do programa De Braços Abertos – criado pelo prefeito Fernando Haddad (PT). Em entrevista nesta segunda-feira, 1º, à Rádio e à TV Estadão, o candidato defendeu que, para circular pela área, as pessoas sejam antes revistadas.

“Só tem consumo de drogas onde há produto. O que eu faria na Cracolândia? Três barreiras de fiscalização para a pessoa chegar lá”, disse o candidato.

O deputado afirmou, porém, que o direito de ir e vir seria mantido, mas quem desejasse circular pela região seria submetido a revistas. “Qualquer policial pode fazer revista. Será uma barreira a cada quarteirão para impedir entrada da droga”, afirmou.

Sobre o programa De Braços Abertos – projeto de redução de danos que remunera uma diária para o usuário de crack trabalhar na limpeza da cidade e oferece moradia –, Russomanno afirmou que o poder público paga para que se consuma drogas dentro de hotéis.

Supremo. Ao abordar a possibilidade de ser retirado da disputa pela Prefeitura de São Paulo por uma decisão do Supremo Tribunal Federal, o deputado se disse “tranquilo” e afirmou que é inocente. Russomanno foi condenado a dois anos e dois meses de prisão por nomear como secretária de gabinete na Câmara uma funcionária de sua produtora de vídeo em São Paulo entre 1997 e 2001. A pena foi convertida em prestação de serviços, mas mesmo assim ele recorreu da decisão.

Quando assumiu o mandato na Câmara, em 2015, o caso foi para o STF. A Procuradoria-Geral da República enviou parecer ao Supremo pedindo a manutenção da condenação. Se a Corte mantiver a condenação, ele se tornará ficha-suja e ficará inelegível. “Me sinto tranquilo. Sou inocente. Em 1997, na época dos fatos, não existia verba para deputados colocar assessores nos Estados.”

Ele afirmou que devolveu R$ 1 milhão de verbas de gabinete para os cofres públicos ao longo de cinco mandatos.

Uber. Ao falar sobre mobilidade urbana, o candidato do PRB se disse contra o Uber, que concorre com os táxis. “O que é legalizado deve ser tocado para frente. O Uber não está legalizado. Hoje quem está regulamentado são os taxistas”, afirmou.

Sobre a abertura da Avenida Paulista aos domingos para pedestres, ele defendeu a realização de votação virtual entre os moradores da região. “A população que mora na Avenida Paulista é que vai decidir.”

Outra “vitrine” de Haddad que Russomanno pretende desconstruir é a redução do limite de velocidade nas Marginais do Tietê e do Pinheiros.

Recuo. O deputado recuou de uma ideia que causou polêmica em sua campanha à Prefeitura em 2012 e virou alvo de pesadas críticas dos adversários: a criação de uma tarifa proporcional de ônibus, que seria feita por quilômetro rodado. Quem ficasse mais tempo pagaria mais, com um teto de R$ 3 – o valor da tarifa na época.

“O rombo (das contas públicas) era menor em 2012 e eu tinha a intenção de fazer. Mas defendo neste momento o Bilhete Único como está aí”, afirmou.

Russomanno, que tem o apoio do PTB e PSC, é o líder da disputa com 29% das intenções de voto, segundo pesquisa Ibope divulgada na sexta-feira.

Veja alguns comentários de Russomanno:

Tarifa de transporte

“Eu defendo, neste momento, o Bilhete Único como está aí. Há um déficit muito grande (no preço) da passagem. Não dá para se falar em diminuição de tarifa.”

Cracolândia

“Só tem consumo de drogas onde há produto. O que eu faria na Cracolândia? Três barreiras de fiscalização para a pessoa chegar lá.”

Uber

O que é legalizado deve ser tocado para frente. O Uber não está legalizado.”

Fechamento da Paulista

“Há uma quantidade imensa de aplicativos que as pessoas podem usar para votar a respeito do que é melhor para seu bairro. A população que mora na Avenida Paulista é que vai decidir (sobre o fechamento aos domingos). Quem decide pelo bairro é quem mora lá.”

Agenda. O candidato do PSDB à Prefeitura, João Doria, participa nesta terça-feira, 2, da série promovida pelo Estado. A entrevista acontece a partir das 13 horas e pode ser acompanhada ao vivo pela TV Estadão. Às 13h30, ele fala na Rádio Estadão.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.