Em encontro com índios, Marta chora e promete melhorias

Candidata do PT visitou aldeia guarani na zona norte de SP e disse estar emocionada por vê-los

Anne Warth, da Agência Estado

22 de agosto de 2008 | 18h38

Emocionada, a candidata à Prefeitura de São Paulo pelo PT, Marta Suplicy, chorou ao ver na tarde desta sexta-feira, 22,  as precárias condições da aldeia guarani "tekoa pyau", na zona norte da capital paulista. Um dos agravantes da situação da aldeia é o fato de que o terreno onde vivem os indígenas é de propriedade particular, o que impossibilita a melhoria da infra-estrutura para os índios, mesmo que houvesse recursos.   A candidata afirmou que uma de suas propostas é regulamentar essa situação. Além disso, ela pretende recuperar os Cecis, investir na educação e qualificação das crianças e criar meios de as famílias indígenas se estruturarem e emanciparem, pois a comunidade hoje sobrevive apenas do que planta e vende.   Veja Também: Veja a íntegra da última pesquisa  Multimídia: Perfil de Marta   Guia tira dúvidas do eleitor    Marta foi recebida pelo líder da aldeia, Pedro Luiz Macena, e abençoada pelo cacique e pajé Zé Fernandes, de quem ganhou colares e brincos de pena. Apesar da ausência de cabos eleitorais, ela foi carinhosamente recebida pelos índios. A maior parte das famílias vive em casas muito humildes, sem água encanada ou iluminação e de chão batido. Apesar disso, muito indígenas tiraram fotos da candidata com telefones celulares. Marta visitou toda a aldeia e assistiu a uma apresentação de crianças que cantaram e dançaram uma música típica. No início da tarde, a petista visitou o comércio da região do Pirituba, na zona Norte.   Na aldeia, em um Centro de Educação e Cultura Indígena (Ceci) - espécie de Centro de Educação Unificada (CEU) para índios -, inaugurado em sua gestão, Marta ficou "decepcionada" ao constatar que os computadores comprados durante sua administração estavam quebrados há um ano. "Fiquei bastante decepcionada porque a situação da aldeia continua a mesma, se não pior", disse a petista, citando que muitas famílias não foram recadastradas no Programa Renda Mínima e que outras recebem apenas metade do valor do benefício, que é de até R$ 220.   Marta ficou surpresa ao saber que uma das salas do Ceci é usada por um colégio estadual da região, sob alegação de que não havia espaço para todos os alunos na instituição estadual. "Toda a idéia da preservação da cultura indígena parece ter sido abandonada", lamentou. A candidata destacou ter ficado "muito triste" com o descaso com que a aldeia vem sendo tratada pelo poder público, mas ficou aliviada ao ser informada de que as crianças tem recebido quatro refeições por dia no Ceci. "Do contrário a situação poderia ser ainda pior."   Na comunidade, composta por 144 famílias, a maioria das crianças andava descalça sobre o chão batido, acompanhada de dezenas de cachorros doentes. Questionada pelas crianças sobre as lágrimas, Marta respondeu estar emocionada por vê-los. "Você é linda", elogiavam as crianças.    

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