Em encontro com empresários no RS, Dilma adota tom otimista

Presidente ressaltou dados da economia brasileira e aproveitou para alfinetar ex-presidente FHC ao citar que inflação estourou o teto da meta durante seu mandato

Elder Ogliari, correspondente em Porto Alegre, O Estado de S. Paulo

18 de julho de 2014 | 23h25

 PORTO ALEGRE- A presidente Dilma Rousseff voltou a fazer um discurso otimista, prevendo recuo da inflação e comparando dados econômicos de seu governo com anteriores e do Brasil com outros países do mundo, durante cerimônia de posse do empresário Heitor José Muller para mais uma mandato, o segundo, como presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), na noite desta sexta-feira, 18, em Porto Alegre (RS).

"O Brasil é hoje um dos seis países do G-20 que registra superávit primário nas suas contas", destacou Dilma, para, em seguida, citar a taxa média de inflação dos três primeiros anos do atual governo, de 6,08% e compará-la com os 7,53% do mesmo período do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e 12,4% do primeiro mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

"Desde a implantação do regime de metas, há 15 anos, em 11 anos a taxa ficou fora do centro da meta, mas dentro da banda", lembrou. "E em três anos, que não foram os meus e nem do Lula, a banda estourou", alfinetou. "Nos nossos governos a inflação sempre esteve sob controle e vai continuar", previu. "Está em franco declínio e seguramente fechará o ano dentro da meta".

Dilma voltou a criticar a onda pessimista anterior à Copa do Mundo, chegando a dizer que houve quem quisesse que em abril deste ano, a dois meses do início, o evento  fosse devolvido a Fifa e a lembrar previsões alarmistas de que haveria falta de energia. Citou os dados positivos da Copa e assegurou que nem antes, nem durante e nem depois do evento haverá "apagão". Também admitiu que a superação da crise global se mostrou "mais difícil e lenta do que qualquer analista poderia imaginar" para lembrar, que mesmo atingido, o Brasil continua crescendo.

"A pior opção para enfrentar crises em qualquer ramo de atividade é o pessimismo", afirmou a presidente, sustentando que essa visão está interligada a dois motivos perigosos. "O primeiro é a influência de expectativas em um mundo globalizado onde os fluxos e decisões de investir são extremamente sensíveis a expectativas", enumerou. "O segundo é a tentação de forçar a realização de profecias negativas em períodos eleitorais e as avaliações negativas sobre a capacidade do Brasil realizar a Copa exemplificam o que estou dizendo". Prosseguiu. "A Copa demonstrou nossa capacidade e competência inequívocas".

Brics. Em meio ao discurso de 35 minutos, Dilma considerou como "passos históricos" a recente criação do Banco de Desenvolvimentos dos BRICS (o grupo de países formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), com aporte inicial de US$ 100 bilhões e subscrição imediata de US$ 50 bilhões. "Com isso teremos a viabilização de investimentos em áreas necessárias nesses países, notadamente infraestrutura, e uma rede de proteção contra a volatilidade financeira internacional", sustentou, reiterando que "não se trata de um organismo contrário ao Fundo Monetário Internacional (FMI)".

Ao mesmo tempo, a presidente ressaltou que o grupo BRICS é credor do FMI e quer a reforma da governança do órgão. "(Isso) significa transformar nossa participação no sentido de adequá-la ao fato de termos 21% do PIB internacional e paridade do poder de compra de 27% e só termos 11% das cotas (do FMI)", justificou, lembrando que desde a crise de 2008 está acertado no G20 que os países emergentes teriam mais representatividade no organismo.

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