Em disputa acirrada, Paes leva e é o novo prefeito do Rio

Candidato do PMDB teve 50,83% dos votos contra 49,17% do adversário, com 100% das urnas apuradas

da Redação

26 de outubro de 2008 | 19h13

Em uma disputa acirrada, voto a voto,  Eduardo Paes, do PMDB, venceu o adversário  Fernando Gabeira e é o novo prefeito do Rio de Janeiro. Com 100%  das urnas apuradas, Paes teve 50,83%  (1.696.195 votos) contra 49,17% (1.640.970) de Fernando Gabeira, do PV.   Veja também: Blog da eleição: Veja a apuração e confira os resultados Especial: Perfil dos candidatos do Rio  'Eu prometo' traz as promessas de Gabeira e Paes  Geografia do voto: Desempenho dos partidos nas cidades brasileiras  Confira o resultado eleitoral nas capitais do País     Paes dedicou a sua vitória ao atual governador do Estado, Sérgio Cabral. Além do padrinho político, Paes agradeceu ao presidente Lula, a quem chamou de "parceiro". "O Rio vai melhorar, vai ficar muito melhor com Paes, Cabral e o presidente Lula.   Já Gabeira agradeceu aos eleitores e preferiu não comentar a pequena diferença que o fez perder a disputa.  "Não tenho elementos para dizer isso. Se a campanha suja influenciou ou não, eu não sei. Eu já havia esquecido isso, quando me telefonaram hoje) para falar de material apreendido e da merenda escolar. Façam o que quiserem comingo, mas desviar merenda escolar para boca-de-urna, não dá", disse a jornalistas.   No primeiro turno, a corrida para o segundo lugar foi apertada, mas Gabeira conseguiu 25,61% dos votos, enquanto o candidato Marcelo Crivella (PRB) ficou com 19,06%, no terceiro lugar. O líder Paes obteve 31,98% dos votos válidos.   Paes disse que iria procurar no segundo turno "todas as forças políticas", com exceção do prefeito Cesar Maia (DEM), e insistiu no discurso da aliança com o governo do Estado e com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Sou o candidato da base do presidente", afirmou. Sobre a atuação como deputado federal do PSDB, quando, como integrante da CPI dos Correios, atacou o presidente e ministros petistas, Paes respondeu: "Não mudei de lado. Sempre cumpri minhas funções". Crivella apóia Paes. Já Gabeira ganhou apoio do prefeito Cesar Maia.   A ida de Gabeira ao segundo turno das eleições municipais é uma dessas surpresas que o eleitor carioca costuma oferecer ao País. Jornalista de 67 anos, ex-guerrilheiro, escritor e político ligado a temas como meio ambiente, liberdades individuais e direitos das minorias, Gabeira irá enfrentar o peemedebista recém-saído do ninho tucano e sustentado pelo governador Sérgio Cabral (PMDB), na disputa pela prefeitura do Rio.   Gabeira tinha 4% das intenções de voto no início de agosto, segundo pesquisa Ibope, contratada pelo jornal O Estado de S.Paulo e Rede Globo, bem atrás dos adversários Paes e Crivella, que na ocasião liderava a corrida com 24% das intenções de voto.   O segundo turno das eleições do Rio foi marcado pela tensão no Palácio Guanabara. O governador Sérgio Cabral (PMDB) sabe que o resultado do pleito deste domingo na capital seria decisivo para definir seu cacife político em 2010 para a reeleição ou para influenciar nas alianças nacionais do PMDB. Depois de ter visto derrotas de seus candidatos nos seis maiores colégios eleitorais do Rio, a capital era a última esperança de Cabral. Ele mobilizou toda sua energia para eleger Eduardo Paes (PMDB), o que seria o primeiro sucesso eleitoral de um governador fluminense na capital nas últimas duas décadas.   A manutenção da indefinição da disputa entre Paes e Fernando Gabeira (PV) dominava as preocupações de Cabral, que tinha se mostrado nervoso a aliados. O grupo do governador confiava em que, apesar de os dois candidatos estarem tecnicamente empatados, o peemedebista teria mais chance de conquistar os indecisos. Para isso, apostaram na máquina partidária do PMDB e dos aliados.   Ao contrário do primeiro turno, o governador só apareceu no último programa de TV do afilhado e não foi visto com ele nas ruas na segunda etapa. Aliados do PMDB informaram à coordenação de campanha que em algumas regiões de classe média, como a Barra da Tijuca, os panfletos com Cabral e o presidente Lula eram rejeitados.   No entanto, Cabral manteve o controle dos bastidores da campanha. Paes admite que ele se envolveu ainda mais no segundo turno. É dele a concepção da comunicação da campanha, executada pelo marqueteiro Renato Pereira, que acompanha Cabral há anos. O governador repetiu em torno de Paes seu grupo da eleição de 2006. O secretário de governo, Wilson Carvalho, cuidou da logística; o chefe da Casa Civil, Régis Fichtner, deu apoio jurídico, e o vice-governador Luiz Fernando Pezão articulou partidos aliados e lideranças comunitárias. No time de conselheiros, estão nomes como o do senador Francisco Dornelles (PP).   (Com Wilson Tosta e Alexandre Rodrigues, de O Estado de S. Paulo)     Texto atualizado às 20h50

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.