O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2013 | 02h04

A eleição de Renan Calheiros (PMDB-AL) e Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) para comandar Senado e Câmara, respectivamente, deixa o Legislativo em desvantagem política na sempre oscilante balança dos três Poderes. Renan e Henrique ocuparão a Presidência das duas Casas fragilizados por investigações e denúncias por suposto envolvimento em irregularidades. Ambos chegam aos principais postos do Congresso criticados por setores da opinião pública e trazendo no currículo duas renúncias relevantes.

Em 2007, Renan precisou abrir mão do cargo de presidente do Senado, acusado de permitir que uma empreiteira fizesse pagamentos de despesas pessoais suas, como o pagamento de pensão para uma filha sua fora do casamento. Antes disso, em 2002, Henrique teve que deixar a vaga de candidato à Vice-Presidência da República na chapa encabeçada pelo tucano José Serra, depois de ser acusado de supostamente manter recursos não declarados no exterior.

A questão é que no mesmo período em que estarão à frente de Senado e Câmara, os Poderes Executivo e Legislativo enfrentarão situações bastante diversas. Apesar das dificuldades para fazer a economia crescer, Dilma Rousseff conta com elevada aprovação popular, segundo pesquisas que avaliaram seu desempenho.

No Judiciário, a diferença em termos de prestígio também é considerável. O ministro Joaquim Barbosa assumiu a presidência do Supremo extremamente fortalecido pelo desempenho como relator no julgamento do processo do mensalão, que condenou políticos importantes como os petistas José Dirceu, João Paulo Cunha e José Genoino, entre outros.

Numa analogia com o futebol, é como se Renan e Henrique entrassem na partida pendurados com cartão amarelo. Experientes, os dois sabem da situação e têm procurado evitar marolas. Evitam entrevistas, justamente para não abordar episódios polêmicos. O plano é deixar o tempo correr para que diminua a atenção sobre suas eleições. Enquanto isso não acontecer, por mais que seus discursos de autonomia preguem o contrário, as discussões do Congresso continuarão dominadas por agendas definidas pelo Planalto e temperadas pelos entendimentos do Judiciário.

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