Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Em debate, pré-candidatos do PSDB tentam se distanciar do bolsonarismo

O alinhamento de parlamentares da legenda com projetos de interesse do governo motiva embates entre João Doria e Eduardo Leite e recebe críticas de Arthur Virgílio em encontro promovido pelo ‘Estadão’

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2021 | 18h23
Atualizado 12 de novembro de 2021 | 19h29

O debate promovido nesta sexta-feira, 12, pelo Estadão com os três pré-candidatos do PSDB à Presidência da República em 2022 expôs o desconforto no partido com o posicionamento de parte da bancada tucana no Congresso. O alinhamento de parlamentares da legenda com pautas e projetos de interesse do governo Jair Bolsonaro foi o principal motivo dos embates entre os governadores João Doria (SP) e Eduardo Leite (RS) e alvo de críticas de Arthur Virgílio (AM). Os postulantes tucanos procuraram se distanciar do bolsonarismo e praticamente não citaram outros potenciais adversários ou mesmo o PT, rival histórico.

Ao responder sobre a postura do partido em relação à PEC dos precatórios, Doria chamou de “prática execrável” a proposta defendida pelo Palácio do Planalto que muda a regra do teto de gastos com o objetivo de abrir espaço no Orçamento do governo para pagar o Auxílio Brasil de R$ 400. Ele afirmou que sete parlamentares de São Paulo votaram contra a proposta, enquanto os representantes gaúchos foram a favor. De 32 deputados da bancada, 21 votaram favoráveis à PEC. “Os três paramentares do PSDB que você comanda no Rio Grande do Sul votaram com o governo Bolsonaro”, destacou o paulista. 

Leite argumentou que a bancada federal gaúcha é formada por dois deputados e sua liderança tem foco na Assembleia Legislativa do Estado. “O João acabou de falar sobre os deputados que ele comanda. Isso deixa clara a diferença do nosso tipo de atuação. Eu não comando deputados, eu busco convencer com argumentos, e sempre convenci a fazer as coisas certas e do jeito certo.”

Os dois governadores do PSDB já fizeram mea culpa pela associação ou apoio declarado a Bolsonaro no segundo turno da eleição de 2018. Virgílio também questionou Leite sobre a posição dos parlamentares gaúchos. “Não deixe que lhe preguem a fama de bolsonarista.” 

No intervalo do evento, o presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, reconheceu que o tema fragiliza o partido. “Minha expectativa é que quando tivermos escolhido um candidato a presidente, que ele se tome de legitimidade para tratar com muito mais força de uma posição do partido nessa questão. Todos partidos perderam controle na relação direta com as bancadas.”

A crítica doméstica foi base também para a defesa do compromisso com a estabilidade fiscal. “Não faz sentido um partido que criou a Lei de Responsabilidade Fiscal ter posições dúbias ou posições para apoiar o rompimento do teto e da Lei de Responsabilidade Fiscal; pela mesma razão Dilma teve seu impeachment declarado pelo Congresso”, disse Doria. 

Virgílio, que não poupou de estocadas o ministro da Economia, Paulo Guedes, cobrou a retomada do tripé macroeconômico, que balizou o governo de Fernando Henrique Cardoso: equilíbrio fiscal, metas de inflação e câmbio flutuante. Ele ressaltou que um eventual governo seu, não haveria espaço para as emendas de relator – base do orçamento secreto. 

Em resposta à mesma pergunta, Leite ressaltou que a responsabilidade com as contas deve estar atrelada à responsabilidade social e disse apostar no crescimento sustentado como alternativa para o combate às desigualdades. 

A votação no colégio eleitoral das prévias do PSDB está marcada para 21 de novembro. 

Em outro momento mais tenso, o governador gaúcho disse que o colega paulista estaria constrangendo prefeitos e vereadores nas prévias do partido. “Há boatos de que você estaria constrangendo prefeitos com condicionamento de assinaturas e até suspendendo filiações de vereadores que declararam apoio (a mim)”, disse Leite.

Doria respondeu dizendo que o adversário estava “nervoso” e que preferia falar sobre os programas do Estado. O clima de acirramento entre os governadores no palco se refletiu também nos bastidores. Auxiliares do paulista ficaram incomodados com a presença do ex-secretário de Habitação da capital, Orlando Faria (PSDB), entre os convidados de Leite. Faria foi exonerado do cargo pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) após declarar apoio ao governador gaúcho nas prévias. A exoneração foi citada pelo governador do Rio Grande do Sul para constranger Doria, que sugeriu que o colega ligasse para o prefeito.

Diplomático, o presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, assistiu a primeira metade do debate no espaço de Leite e a segunda ao lado do time de Doria. /ADRIANA FERRAZ, PEDRO VENCESLAU, CAROLINA ERCOLIN, GUSTAVO QUEIROZ, CASSIA MIRANDA, NATÁLIA SANTOS e DAVI MEDEIROS

 

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