Cesar Lopes/PMPA
Cesar Lopes/PMPA

Em ‘debate drive-in’, prefeito de Porto Alegre vira alvo de rivais

Nelson Marchezan Junior (PSDB), que busca a reeleição, é alvo de um processo de impeachment na Câmara Municipal; candidatos só puderam ter um assessor junto com eles no veículos

Lucas Rivas, especial para o ‘Estadão’, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2020 | 19h10

PORTO ALEGRE – A troca de críticas entre os 13 candidatos à Prefeitura de Porto Alegre marcou o “debate drive-in” promovido pela Rádio Gaúcha, nesta segunda-feira, 28. Para manter os protocolos sanitários em meio à pandemia, a emissora realizou um modelo de debate inédito – e curioso – com todos os concorrentes dentro de seus carros, no estacionamento do prédio da rádio, que pertencente ao Grupo RBS.

O formato do “debate drive-in” foi a solução encontrada pela equipe da Gaúcha para evitar a aglomeração de candidatos, assessores e jornalistas em um estúdio fechado. Em três blocos, os candidatos responderam questionamentos da população, endereçaram perguntas para os adversários, com direto a réplicas, e encerraram o encontro com as considerações finais.

Em meio a inédita dinâmica, os postulantes estiveram acompanhados de apenas de um assessor dentro do veículo. Conforme as regras, foi permitido apenas abrir o vidro do lado direito do carro (do carona), onde estava o candidato.

Sem carteira de habilitação e automóvel, Júlio Flores (PSTU) foi ao encontro na companhia de um amigo. “Ele me deu uma força. Foi o modo exigido pela Gaúcha para o debate. Eu preferiria ter feito uma live, mas foi legal”, afirmou. Dos 13 concorrentes, apenas Sebastião Melo (MDB) foi com um veículo adesivado para campanha.

O prefeito Nelson Marchezan Junior (PSDB), que busca a reeleição e é alvo de um processo de impeachment na Câmara Municipal, foi duramente atacado pelos adversários, principalmente pela deputada Fernanda Melchionna (PSOL) e pelo ex-prefeito José Fortunati (PTB). “Como prefeito, Marchezan é um excelente roteirista de ficção. Criou um orçamento fictício dizendo que as contas públicas estavam arrasadas para retirar direitos dos municipários”, disse Melchionna.

Atacado, Marchezan subiu tom contra o antecessor Fortunati e afirmou que ele “afundou” Porto Alegre, ao mencionar as contas do ex-prefeito relativas a 2016, que ainda não foram julgadas pelos órgãos controladores. Além de citar a crise financeira, o prefeito também defendeu reiteradamente ações de combate à corrupção que afirmou terem sido adotadas pela administração municipal.

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Já Manuela D’Ávila (PCdoB) mencionou as dificuldades que serão encontradas pelo próximo prefeito após pandemia. Disse que sua prioridade como prefeita será garantir que o povo de Porto Alegre tenha acesso à vacina e construir uma relação de parceria com professores, alunos e instituições de ensino para recuperar o ano letivo.

Temas como saúde, educação, meio ambiente, mobilidade urbana, entre outros, também foram abordados no debate. Também participaram do encontro: Gustavo Paim (PP), João Derly (Republicanos), Juliana Brizola (PDT), Júlio Flores (PSTU), Luiz Delvair Martins Barros (PCO), Montserrat Martins (PV), Sebastião Melo (MDB), Rodrigo Maroni (PROS) e Valter Nagelstein (PSD).

Na próxima quinta-feira, 1° de outubro, a Band RS vai realizar debate entre os candidatos na sede da emissora, sem a presença de público, e respeitando os protocolos sanitários.

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