Reprodução/TV Band
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Em debate de Salvador, candidatos se juntam contra indicado por ACM Neto

Quatro candidatos da base do governador Rui Costa (PT) atuaram de forma alinhada contra o candidato da situação, Bruno Reis (DEM)

Regina Bochicchio, especial para o Estadão, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2020 | 02h47
Atualizado 02 de outubro de 2020 | 19h14

SALVADOR - O primeiro debate entre candidatos à Prefeitura de Salvador, na TV Band Bahia, na noite desta quinta-feira, 1º de outubro, foi marcado pelo alinhamento entre os quatro candidatos da base do governador Rui Costa (PT) contra o candidato apoiado pelo prefeito ACM Neto (DEM), Bruno Reis (DEM).

Sete dos nove candidatos participaram do debate. Ficaram de fora o bolsonarista Cezar Leite (PRTB) e Rodrigo Pereira (PCO) em razão das regras estabelecidas pela emissora dando conta de que os partidos de cada candidato devem comportar, no mínimo, cinco parlamentares no Congresso Nacional, conforme estabelece o Artigo 46 da Lei nº 9504/97.

Entre os candidatos governistas, cujos representantes são Major Denice (PT), Olívia Santana (PCdoB), João Bacelar (Pode) e Pastor Sargento Isidório (Avante), Olívia e Bacelar foram os que enfatizaram mais críticas a Reis.

A petista Denice, que debuta na política partidária, preferiu adotar uma postura propositiva e menos combativa. Contudo, sem contar com a experiência em debate eleitoral, acabou deixando escapar oportunidades de contrapor com maior destaque ou trazer o debate para si quando, por exemplo, entrou em pauta políticas para mulheres – área que domina por ter coordenado a Ronda Maria da Penha na capital.

Se, por um lado, o candidato Bruno Reis, em sua trajetória política, sempre se mostrou um exímio articulador político de bastidor e responsável por tocar projetos importantes na administração de Neto como secretário, por outro, ao estrear em debate, e sendo atacado de forma veemente em alguns momentos, acabou "engasgando" na fluência de algumas respostas quando perguntado por adversários, em todos os temas abordados.

Enquanto aliados de Rui "levantavam a bola para que o colega cortasse", com destaque para Bacelar, em perguntas claramente dirigidas em ataque à gestão de ACM Neto, cuja continuidade é representada por Reis, o democrata se pautou na administração atual e pouco falou de futuro.

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Hilton Coelho (PSOL) e Celsinho Cotrim (PROS) adotaram posturas independentes às duas forças políticas predominantes no estado. Atirando para todos os lados, o candidato do PSOL não poupou críticas aos projetos de Neto e Rui.

Em Salvador a retomada econômica está estreitamente ligada ao Turismo e Cultura. Ao serem perguntados pela produção do debate sobre esta questão, major Denice apostou no reforço à economia criativa, Isidório no fortalecimento daqueles que estão no trabalho informal. Bruno lembrou dos incentivos fiscais aos empresários, política adotada pelo prefeito com a perspectiva de gerar emprego e renda, e Olívia acusou a atual gestão de concentrar recursos a “empresas ligadas a amigos”, sem detalhar.

O Carnaval, que movimenta mais de R$  bilhões, foi assunto debatido entre Cotrim e Isidório. ACM Neto tem dito que o Carnaval só deve ocorrer quando da existência de vacina confiável e pode adiar a maior festa popular da capital para o mês de julho.

Isidório tentou rechaçar a postura netista. Mas acabou tendo de concordar com o argumento de Cotrim, que enfatizou a responsabilidade da segurança sanitária com a possibilidade de uma vacina contra a covid-19 – mesma postura adotada pelo prefeito.

 Educação recebeu especial interesse dos candidatos em vários momentos. O retorno às aulas em um cenário de pandemia tem sido motivo para debates na sociedade soteropolitana.

O prefeito, até agora, não autorizou o retorno presencial do alunado às escolas, mas está disponibilizando ferramentas digitais para educação remota. Ao provocar Bruno, o candidato Bacelar afirmou que as aulas foram suspensas de forma “atrapalhada”. Bruno respondeu lembrando ações como aulas remotas, distribuição de chips e cestas básicas.   

Olívia, ex-secretária de educação de Salvador, acabou aproveitando melhor o tema em razão de sua trajetória biográfica. De origem pobre, ela foi faxineira e merendeira em escola particular, acabou estudando pedagogia e chegou à secretaria de educação.


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